Espaço MEMÓRIA PIRACICABANA

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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Greve na fazenda

Um processo jurídico do fórum de Piracicaba, datado de 1903, descreve uma greve que foi classificada inicialmente como pacífica. O Interessante nele é destacar que o processo é longo, tem cerca de 37 páginas e foram necessárias oito testemunhas para que o caso fosse melhor analisado.
            A greve começou no dia 27 de outubro por volta das seis horas da manhã na fazenda Taquaral, de propriedade de Luis Fabiani, natural da Itália. Fabiani mandara seu feitor Marcelino Gonçalves Adorno resolver o problema da greve e fazer com que todos voltassem ao trabalho. Os grevistas entraram na casa de João Fancci (um dos trabalhadores da fazenda) e aguardaram que Fabiani viesse para fazer um acordo com eles.
Nesta parte do processo há duas versões. A primeira versão é que o patrão foi ao encontro dos colonos portando um revólver ao lado de seus “capangas”, entre estes estava o feitor Marcelino G. Adorno e com uma foice tentou abrir a porta, e todos ouviram então um barulho de tiro de dentro da casa. Nessa versão se atribuiu este tiro ao colono Luiz Lavarazzo, que realmente estava entre os grevistas. A segunda versão é que quando o feitor Marcelino G. Adorno abre a porta com a foice, o patrão Luis Fabiani começou a atirar e algumas das balas atingiram o feitor.
Depois do ocorrido o feitor foi levado ao consultório do Doutor Alfredo Cardoso para ser socorrido. Nisso o delegado da cidade, o Major João Baptista Pedreira o interroga. Marcelino declarou que quem atirou nele foi Luiz Lavarazzo. No decorrer do processo o nome de Luiz Lavarazzo também aparece como Luigi, levando em conta que este colono é natural da Itália.
O processo só se desencadeou por conta de uma declaração feita por Maria Antonia Romeu, que pelo júri foi considerada a menos suspeita por ela ter afirmado não ser grevista. Porém, segundo consta no documento, Maria não tinha interesse em contrariar os colonos da fazenda.



 Com o decorrer do processo o júri declarou Luiz Lavarazzo como culpado, sendo preso no dia 02 de maio de 1904. Infelizmente, ao longo do processo, não é especificado o motivo da greve.


Ana Paula das Neves, estudante do 6º semestre do curso de História da UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo do Fórum.





segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Saudosos bondinhos em Piracicaba

O ônibus nem sempre foi o único meio de transporte no horizonte da cidade a locomover as massas. Os mais velhos se lembram de um tempo onde bondes faziam a ligação do centro com os principais pontos da cidade. Piracicaba chegou a ter 5 bondes, um bonde reboque e uma linha de trilhos que ligavam da Av. Dr. Paulo de Morrais, Rua Boa Morte, Rua do Rosário, Av. Rui Barbosa, Rua São João, Av. Carlos Botelho.  Os bondes faziam o transporte de trabalhadores, visitantes, donas de casa e estudantes, esses em específico foram os mais beneficiados pelos bondes. A primeira linha ligava a Praça José Bonifácio, no centro da cidade, a ESALQ, sendo também a última a operar.

Foi no ano de 1916 que os Bondes elétricos passaram a operar na cidade através da empresa estadunidense, The Southem Brasil co. Limited. A partir de 1950 a prefeitura passa a administrar os bondes e, em 1967, encerra as linhas da Vila Rezende e da Paulista. A linha da ESALQ só será fechada dois anos depois.

No espaço memória piracicabana, é possível encontrar documentos que nos mostra a relação da cidade com o bonde. Utilizado muito pelos estudantes, existia até um Passe Escolar, fornecido pela prefeitura, um talão com 50 bilhetes de uso exclusivo do aluno, que deveria previamente preencher com seus dados estudantis. O Talão, datado de 1954, que se encontra no acervo Jair Toledo Veiga, não está preenchido e com algumas folhas destacadas do seu provável uso.




Maycon Costa, estudante do 4º semestre do curso de História da UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo Jair Toledo Veiga.



Informações gerais coletadas nos seguintes sites:



terça-feira, 1 de agosto de 2017

Piracicaba completa 250 anos!

Para homenagear a noiva da colina, fica aqui um singelo registro de Flavio Toledo Piza sobre nossa cidade, as impressões que teve quando começou a morar aqui, seus pontos que mais chamaram sua atenção. 

O texto foi publicado em 1º de agosto de 1963 no Jornal de Piracicaba, em um especial de aniversário da cidade.

“Repito que a beleza em Piracicaba tudo contagia. É uma beleza espiritualizada, inacessível às definições, mas que um dia chega a transluzir até o gesto dos insanos.”


Durante todo esse mês também faremos homenagem à cidade na página do facebook do Centro Cultural ( https://www.facebook.com/centroculturalmarthawatts/ ). Publicaremos fotos do acervo de João Chiarini, imagens da cidade, nostálgicas para alguns, curiosas para muitos outros.  O fato é que a cidade mudou muito ao longo do tempo e as imagens nos ajudam a ver essas grandes transformações.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

O futebol em São Paulo - Biblioteca Rocha Netto

Dos livros raros da biblioteca do Rocha Netto, encontramos um datado de 1918 “O Football em S. Paulo” de autoria de Leopoldo Sant Anna. São pequenas biografias de centenas de jogadores do final do século XIX.


O livro está disponível para pesquisa em nosso acervo.





Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.
Pesquisa realizada no acervo Rocha Netto.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A Ilha do Inferno – O maior massacre da história prisional do Brasil, depois do Carandiru

Há 65 anos, por volta das 8 da manhã do dia 20 de junho de 1952, cerca de 300 presos iniciavam uma rebelião no presídio “Colônia Correcional Ilha da Anchieta”, conhecido como Ilha do Inferno, em Ubatuba, litoral norte do estado de São Paulo. Os amotinados atacaram os policiais de surpresa e conseguiram tomar as instalações da ilha, que só não foi incendiado e destruído completamente porque naquele dia havia cerca de 300 mulheres e crianças no prédio, que foram poupados pelos presos. Além de enfrentarem um tiroteio com os guardas, os detentos saquearam os 100 mil cruzeiros que estavam na tesouraria e os armamentos guardados na reserva de armas.

Para chegar até o continente, os presos roubaram pequenos barcos e lanchas que estavam na ilha. Uma das embarcações utilizadas, uma lancha chamada “Carneiro da Fonte”, com capacidade para cinquenta pessoas, partiu de lá levando mais de noventa presos. Por conta do excesso de peso, a lancha começou a afundar, o que iniciou uma luta por sobrevivência dentro dela. Muitos feridos foram jogados no mar e muitos foram mortos pelos próprios companheiros, para diminuir o volume de pessoas. Pereira Lima, um dos chefes do motim, assassinou com uma metralhadora cerca de trinta presos e logo em seguida os jogou no mar. Muitos dos que caíram da embarcação viraram comida de peixe. Segundo trecho da reportagem da revista Manchete de 5 de julho de 1952: “Finalmente o excedente da carga jazia nas águas ou no ventre dos tubarões e tintureiros em cardume na região (...) podendo assim a ‘Carneiro da Fonte’ chegar até o litoral”. 

A Marinha, Exército e Aeronáutica, além das forças policiais de São Paulo e Rio de Janeiro, se juntaram na busca pelos criminosos, em uma ação que durou vários dias. Seis dos 129 fugitivos nunca foram capturados.De acordo com a revista, a rebelião foi mais motivada pela vingança do que a liberdade. “Vingança dos maus tratos e do sistema desumano que reinavam naquele presídio”, como a desumanidade em que os presos eram submetidos e a péssima alimentação. Isso porque alguns guardas eram visados pelos criminosos e foram assassinados brutalmente, enquanto outros não.

Oficialmente, foram 16 mortos, entre guardas e presos, no entanto há boatos que dizem que morreram 108 prisioneiros no massacre, número nunca confirmado por fontes oficiais. “A maior tragédia dos presídios brasileiros”, conforme escrito pela revista Manchete em 1952, só foi superada 40 anos depois, no massacre do Carandiru, em 1992, com a morte de 111 detentos.
Dois anos após o massacre, o presídio foi desativado. Hoje o local está em ruínas e é preservado como relíquia histórica do Brasil, onde pode ser visitado por turistas.


Thaís Passos da Cruz, aluna do 5º semestre de Jornalismo da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Roger Bastide e a Poesia Afro Brasileira

Roger Bastide era amigo de João Chiarini. Encontramos em seu acervo muitas cartas recebidas de Bastide, muitas delas perguntando sobre termos utilizados no folclore.

Chiarini então sempre recebia livros escritos por Bastide, alguns deles com dedicatória do autor. O sociólogo francês era muito interessado pela arte e pela literatura brasileira e publicou muitos livros e artigos sobre o assunto.

O livro abaixo foi publicado em 1943 e está disponível para consulta no Espaço Memória Piracicabana.





Vivian Monteiro, Historiadora do Espaço Memória Piracicabana.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Movimento Subversivo no Norte do País (1935)

No jornal O Diário de Piracicaba, do dia 26 de novembro de 1935, se encontra a seguinte manchete “Movimento subversivo no Norte do Paiz, violento movimento subversivo, de caracter extremista irrompeu, na madrugada de ante hontem em Pernambuco e no Rio Grande do Norte...”. A revolta ocorreu de 23 a 27 de novembro daquele ano e tomou, inicialmente, o 21°B.C. (Batalhão de Caçadores do Exército Brasileiro) na cidade de Natal e estourou em outras regiões como Maranhão, Recife e Rio de Janeiro.

Esta insurreição recebeu ao longo dos anos outros nomes como: Intentona Comunista de 35, Revolução Comunista de 35, Levante Antifascista, entre outros.
           
Na reportagem está descrito que o território brasileiro ficou em Estado de Sítio por trinta dias, ou seja, o governo suspendeu os direitos civis, como a liberdade de ir e vir, em prol de se proteger contra uma possível ameaça, neste caso, do comunismo.

Na publicação há declarações como o do chefe da polícia do Rio de Janeiro, o Capitão Filinto Muller “Não há motivo de alarme. O governo está senhor da situação. Tudo que ocorrer irá sendo communicado ao publico, por intermedio da imprensa”.
O jornal também noticiou que a polícia do Rio de Janeiro captou um rádio da estação de Olinda que estava em domínio dos revoltosos, transmitia a seguinte mensagem: “O Brasil, de norte a sul, está em nosso poder. Viva Luiz Carlos Prestes”. Luiz Carlos Prestes foi um importante líder comunista do movimento tenentista (Coluna Prestes). Seus membros eram contra o Governo de Getúlio Vargas, ele foi preso em 1936 e permaneceu por 9 anos na prisão (Morais, Fernando. Olga. 11ªedição. São Paulo, editora: Alfa Ômega, 1986).

Como após o dia 27 de novembro não houveram outras publicações sobre o assunto, não é possível saber pelo “Diário” o desfecho da situação, apenas que, o jornal O Globo do Rio de Janeiro noticiou que a polícia prendeu vários “alliancistas” e que estava à procura de outros.

Ana Paula das Neves, aluna do 5º semestre do curso de História da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo O Diário.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Formação de Rio das Pedras


Em decorrência do centenário da elevação para freguesia de Rio das Pedras em 17 de maio de 1889, antes desta data sendo um vilarejo pertencente a Piracicaba, o genealogista Jair Toledo Veiga, escreveu 3 páginas com o título “Colonos portugueses em Rio das Pedras’’. Foi uma pesquisa acerca da formação econômica e étnica de Rio das Pedras.
No ano de 1874 o doutor bacharel em direito João Tobias de Aguiar e Castro, filho da Marquesa de Santos com o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, adquiriu uma fazenda nos arredores da então capela dedicada ao Bom Jesus. Mudando sua residência para Piracicaba em 30 de maio de 1882, dois anos antes já havia comprado outra propriedade próxima a sua, a fazenda Palmeiras com 24.000 pés de café, unificando as propriedades, deu-se a fazenda Nova Java.

Talvez tendo em vista a eminente abolição, cujo os rumores se espalhavam pelo império brasileiro, o Dr. João Tobias compareceu no 2° cartório de notas local, visando a contratação de 100 portugueses para o trabalho em suas lavoras de café, vindos da ilha de São Miguel, pertencente ao então reino de Portugal. Prática essa de contratação de imigrantes, adotadas por muitos fazendeiros, principalmente nas propriedades paulistas produtoras de café no final do século XIX.
No penúltimo parágrafo, Jair Toledo Veiga faz detalhada descrição de como estava Rio das Pedras no ano de sua elevação a cidade no ano de 1894. O relato nos dá o número de casas urbanas, imóveis comerciais e industriais, estes voltados a atender a demanda agrícola, o número de habitantes, 10 mil, e a existência de 11 ruas. Destaca as três olarias existentes, todas com nomes de Italianos, sendo uma população em número expressivo, reforçando o que já é sabido de nossa região e na historiografia de imigração, o grande número de colonos portugueses e italianos no Estado de São Paulo. 


Maycon Costa, estudante do 3º semestre do curso de História da UNIMEP.

Pesquisa realizada no acervo Jair Toledo Veiga.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Revista "Américas"

Aqui no acervo João Chiarini temos alguns exemplares da revista “Américas” em versões de língua espanhola, em inglês e em português.

A revista foi criada em 1949 pela Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), e circulou até o ano de 2012. Era de publicação bimestral e focada em temas relacionados aos países integrantes da OEA.


Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.

Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Quando o E.C. Corinthians Paulista jogou em Piracicaba...

“O jogo mais importante do XV de Novembro nos seus primeiros anos de vida foi, sem dúvida alguma, quando enfrentou pela primeira vez a equipe do E.C. Corinthians Paulista, que veio a Piracicaba com seu “esquadrão” completo. Para um jogo amistoso, no dia 29 de fevereiro de 1920. O XV já havia enfrentado muitas equipes de projeção do futebol paulista, destacando-se entre elas verdadeiras seleções que aqui compareceram rotuladas com os mais variados nomes.”


Neco e Amilcar

“O Corinthians era uma grande atração. Mas, nas visita que fez ao XV de Novembro, trouxe dois elementos que por si só valiam por um espetáculo. Eram eles os fenomenais jogadores Amilcar Barbuy e Manoel Nunes, o famoso Neco, que se haviam sagrado “Campeões Sulamericanos de Futebol”, ao defenderem a  Seleção do Brasil no campeonato de 1919.”

Toda a comitiva do Corinthians Paulista ficou hospedada no Hotel Central que, infelizmente, já não existe mais.

Quem ganhou o amistoso?

Essa é uma das centenas de histórias e curiosidades sobre o XV de Piracicaba que Rocha Netto escreveu em seu livro “A História do XV – 1913/1931”. O livro está disponível para pesquisa no Centro Cultural.


Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.

Pesquisa realizada no acervo Rocha Netto.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A coleção de flâmulas de Rocha Netto

O jornalista esportivo Rocha Netto colecionava flâmulas, tendo um total de 248 de vários tamanhos e cores em seu acervo, hoje guardadas no Espaço Memória Piracicabana. Elas representam diversas instituições, times, eventos e datas especiais. Entre essas flâmulas, está a feita em comemoração do aniversário de 200 anos de Piracicaba, em 1967. 

Outra muito interessante é a flâmula com o rosto dos jogadores do time de basquete do XV de Piracicaba, que foi o melhor formado por Piracicaba, estando entre as melhores do Brasil. A equipe foi campeã 9 vezes dos Jogos Abertos do Interior e lançou grandes nomes que posteriormente jogaram na Seleção Brasileira, como Vlamir e Pecente. O técnico Braz também se destacou e foi assistente da seleção brasileira campeã mundial em 1959 e 1963.




Juntamente com as flâmulas, há sete faixas de jogos e times diferentes. Uma delas e também a mais significante é a de 1983, quando o time de futebol do XV de Piracicaba venceu a segunda divisão do Campeonato Paulista. Esse foi um dos títulos mais simbólicos para o time, porque um mês antes, o presidente do time, Romeu Ítalo Ripoli, morreu de câncer de pulmão. Ele investiu bastante no time e acreditava na recuperação da equipe, desejando que eles conseguissem subir para a série A.



Thaís Passos da Cruz, aluna do 5º semestre do curso de Jornalismo da UNIMEP. Pesquisa realizada no acervo Rocha Netto.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Monografia das ruas de Piracicaba

Em decorrência do segundo centenário de fundação da cidade de Piracicaba (1967), o jornalista e folclorista, João Chiarini lançou uma série de reportagens na ‘’Folha de Piracicaba’’ entre os anos de 1962 e 1963, falando sobre os nomes dados as ruas da cidade. Em um texto publicado no jornal “O Diário” no dia 02 de Abril de 1969, Chiarini descreve como foi a experiência e as motivações que o levaram a fazer esta pesquisa.

Chiarini destaca o descuido do executivo na tarefa de nomeação de ruas;

‘’Qualquer um tem tido os seus nomes em placas. Muitos sem qualquer contribuição à cidade.                                                                                                                              
As posturas, os decretos-leis, as leis são quebradiças. Os textos demasiados simplistas e até simplórios. ’’

Enfatizando os prejuízos para uma compreensão histórica que tal desleixo pode causar:

‘’Por exemplo: <>. Será o nome do indígena Sê-lo-á do Jorge Tibiriçá? O instrumento jurídico, que o classifica não especifica coisa alguma. ’’

Fica evidente a importância histórico-cultural do trabalho desenvolvido no período por João Chiarini, este sendo usado de maneira a identificar o desenvolvimento social dos municípios com as ruas onde trafegam, dando a assim sentido histórico aos logradouros da cidade onde habitam.

Aqui temos alguns exemplos das reportagens exibidas:




Maycon Costa, estudante do 3º semestre do curso de História da UNIMEP.

Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A Magia das Águas e os 250 anos de Piracicaba

Rio Piracicaba, 2010. Foto retirada do site mapio.net
Todos que já passaram ou passam por Piracicaba certamente viram, ou, pelo menos, ouviram falar, do grande “Rio Piracicaba”. 
Tratado quase como uma divindade pelos locais o rio se tornou inspiração para muitos artistas; poemas e poesias, quadros e aquarelas, desenhos e gravuras.
De tudo já foi feito em homenagem ao rio durante esses 250 anos!
Quadros da exposição permanente e Exposição "Emaranhados na Margem" no CCMW.

Antes, porém, da própria fundação da cidade os indígenas que por aqui passaram já haviam ocupado certa parte desse trecho da nossa cidade.
No livro “Piracicaba: A Noiva Da Colina”, espécie de almanaque da cidade publicado no ano de 1975, há um trecho que nos conta: 
    “Caçadores, aventureiros, penetrantes, seguindo a força atrativa da água, [os índios Paiaguá] descobriram o sítio, com argúcia congênita, “onde o peixe para”, ou onde o peixe não pode vencer a barreira do Salto, quando a função biológica o impulsiona. Lugar propicio para a pesca fácil, abundante, corriqueira.
     ‘Piracicaba!’ teria sido a interjeição alegórica, o brado vivo, a expressão acomodativa, a ressonância de um porto-seguro, onde a vida repousava[...]”
Foto de árvore logo abaixo da queda do Salto. 2017, Arquivo Pessoal. 

São escassos os registros de tempos tão remotos da história de nossa cidade, mas de certo, se hoje nos impressionamos e nos sentimos agraciados com a presença do “Piracicaba” em nossas terras não há dúvida que os indígenas do séc. XVII, povo muito mais ligado à natureza que a sociedade atual, também se impressionavam.
Foto do Acervo João Chiarini. Rio Piracicaba, Batelões descendo o Rio durante a festa do Divino, s/d.

Ainda algumas décadas depois, a ocupação portuguesa também se encantaria pelo Rio; decerto com outros motivos, mas ainda ligados ao “Piracicaba”. Os rios eram o meio de comunicação e transporte mais seguros e práticos da época; portanto, situar-se nas margens de um rio no qual rapidamente poderia se navegar e chegar ao rio Tietê, e por este ainda chegar até o rio Paraná, certamente era uma localização mais que privilegiada.
Então desde os primeiros colonizadores a se instalar nessa região, por volta da década de 1690, até os muitos próximos que vieram posteriormente e que por aqui permaneceram definitivamente, como o “povoador” Antônio Correa Barbosa que em 1767 funda definitivamente a cidade de Piracicaba, escolhem esse local devido a toda essa praticidade que lhes era proporcionada, e novamente temos o “Piracicaba” como o centro das atenções!
Foto do Acervo João Chiarini. Rio Piracicaba, s/d.

Desde os períodos descritos acima até os tempos mais recentes, Piracicaba recebeu, e recebe, muitos visitantes e novos moradores, nascidos ou “renascidos” aqui, e cada uma dessas pessoas com um motivo diferente para estar na cidade. Mas certamente podemos afirmar que: Todos que por aqui passam se impressionaram com o “Nosso Sarto”!

Guilherme Erler Pedrozo, aluno do 3º semestre do curso de História da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.



segunda-feira, 15 de maio de 2017

Na década de 30 em Piracicaba: um caso de Corrupção de Menores

            No dia 11 de janeiro de 1930, em Piracicaba, o pai de um menino de 10 anos, deu início a um processo contra uma mulher de 24 anos, viúva com filhos. O pai ouviu reclamações de dores na virilha por parte do menor, e este o levou ao hospital, onde se obteve o diagnostico que o menino tinha adquirido uma doença venérea.
       
  
O processo recebeu o nome de “Corrupção de Menores” e nele está descrito que a pessoa responsável por transmitir a DST á criança foi uma mulher, que morava na mesma rua da vítima. A criança costumava passar tempo na casa da ré, junto com outras crianças.
            
O menor fez um exame para comprovar a doença, o resultado deu positivo, para a ré foi aplicado o mesmo método. A primeira vez que ela fez o exame, no dia 16 de janeiro, o resultado deu negativo, mas foi considerado “inválido” nos seguintes termos: “... a paciente apresentou-se a exame após ter se submettido a uma rigorosa ‘toilette’ difficultando assim a colheita do material necessario a um exame de laboratório, pois, o pouco material colhido e examinado deu negativo”.

Este caso teve várias testemunhas, dentre elas, a empregada da ré que afirmou a ida constante do menor a casa da patroa para brincar com seus filhos e nada mais declarou. A ré também fez uma declaração, na qual afirmou que o menino frequentava sua casa, mas que na maioria das vezes estava embriagada e por isso não recordava de nada. Na delegacia fizeram uma série de perguntas à ré, sobre sua idade, sua nacionalidade que declarou ser brasileira, mas na sua naturalidade disse que não recordava, e também afirmou que sabia ler e escrever, além de responder que sua profissão ou o seu modo de vida era de “Decahida” (termo utilizado, na época, para profissionais do sexo).

Com o decorrer do processo, foram trazidas mais testemunhas, dentre essas, homens que tiveram relações com a acusada. Muitos declararam que o menino realmente frequentava a casa da mulher, e no dia 25 de março de 1930, a acusada teve que realizar novamente o exame, e desta vez o exame deu positivo.

No mês de junho ela foi declarada culpada e no dia 22 de agosto a ré recebeu o mandado de prisão, sua pena foi como estava previsto no artigo 266, da lei N. 2.992 criada no dia 25 de setembro de 1915, que dizia: “Attentar contra o pudor de pessoa de um ou de outro sexo, por meio de violência ou ameaça, com o fim de saciar paixões lascivas ou por depravação moral: § 2º Corromper pessoa menor de 21 annos, de um ou de outro sexo, praticando com ella ou contra ella actos de libidinagem: Pena – de prisão cellular por dous a quatro annos”, porém o processo em questão não revelou o período em que a mulher ficaria em uma Cadeia Pública na Comarca de Piracicaba.


Ana Paula das Neves, aluna do 5º semestre de História da UNIMEP.

Pesquisa realizada no acervo do Fórum.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Brasil na copa de 1986

O Brasil se classificou para a copa com muito problemas fora das quatro linhas. O primeiro deles foi devido ao fim do mandato do presidente Giullite Coutinho, que deixou os cartolas mais preocupados com a eleição que com a preparação da equipe, outro fator foi que, duas semanas antes do início das eliminatórias, o técnico da seleção Evaristo de Macedo foi demitido. Nesse momento o ex-técnico da seleção Telê Santana é convidado e reassumir a seleção brasileira.



A classificação brasileira para a copa foi de certa maneira tranquila, ocupando o primeiro lugar do seu grupo.

A copa inicialmente aconteceria na Colômbia, mas devido a problemas econômicos ela foi transferida. A FIFA ofereceu a copa a três países: Brasil, EUA e Canadá, mas nenhum aceitou e o México que havia sediado anos antes o mundial acabou sendo o escolhido.

Na convocatória, inúmeros problemas apareceram como a não convocação de Toninho Cerezo e Éder, destaques da copa anterior. Devido a problemas com Telê, Renato Gaúcho, um dos destaques do Brasil no ano, foi cortado da copa por não respeitar o toque de recolher. Em solidariedade ao amigo o então lateral titular da seleção Leandro não se apresentou a seleção ocasionando seu corte também. O Brasil tinha problemas de lesões como o que aconteceu com Zico, destaque brasileiro, chegava a sua 3ª copa com uma lesão séria nos dois joelhos.

O Brasil iniciou sua caminhada contra a seleção da Espanha e venceu a partida por 1 a 0, gol marcado pelo meio campista Sócrates. No jogo seguinte com a Argélia o placar se repetiu com uma vitória magra e um gol marcado pelo centroavante.
Na última partida da primeira fase o selecionado brasileiro enfrentou a fraca seleção da Irlanda do Norte, onde venceu por 3 a 0 com dois gols do artilheiro brasileiro Careca e um do lateral Josimar.

Nas oitavas o Brasil enfrentou a Polônia e outra vez goleou, venceu por 4 a 0 com gols de Edinho, Careca, Sócrates e Josimar.

Com a seleção embalada, o desafio seria o time francês do craque Michel Platini. Apesar da apreensão, o jogo foi equilibrado, onde o time brasileiro fez o primeiro gol com seu artilheiro Careca, mas a França viria a empatar com Platini. Ainda nessa partida ocorre o lance mais emblemático, o craque da seleção Zico errou o pênalti sofrido pelo lateral Branco. A partida foi para as penalidades onde o meia Sócrates e o zagueiro Júlio César erraram, e pelo lado francês o meia Platini errou sua cobrança. Fato curioso, em uma das cobranças da França a bola bateu na trave, voltou no goleiro Carlos e entrou.

O Brasil se despediu dessa copa como a melhor defesa e invicta, além de ter sido a despedida de craques como Zico, Sócrates, Junior e Falcão.

Fábio Barros Martins, aluno do 5º semestre de Publicidade e Propaganda da UNIMEP
Pesquisa realizada no Acervo Rocha Netto.


terça-feira, 2 de maio de 2017

Primórdios do cinema Piracicabano

Durante esse mês de abril separamos alguns artigos - publicados na página do Centro Cultural no Facebook *- sobre a cidade de Piracicaba e muitas informações curiosas foram encontradas.

Dando continuação a última publicação, vamos falar mais um pouco sobre os primórdios do cinema na cidade.

“Foi o Santo Estevão, o velho casarão da Praça José Bonifácio demolido há anos, o nosso primeiro cinema permanente. O cinema funcionou de início com a denominação do próprio teatro, mas em janeiro de 1910 passou a ser chamado “Theatro Cinema”. A historia dessa primeira casa estável de espetáculos cinematográficos parece estar ligada, surpreendetemente, à... Santa Casa de Misericórdia local. Com efeito, o Jornal de Piracicaba de 1908, publica que uma comissão de mesários da Santa Casa mandaria vir “um apparelho cinematographico para com elle dar espetáculos em beneficio de obras que se projectam construir no prédio daquella casa de caridade.” Tal aparelho aqui chegou em dezembro do mesmo ano. Tratava-se, segundo o “Jornal”, de um “Pathé Freres, que projecta com nitidez as fitas, sem causar o menor incomodo para o espectador... A coleção de vistas é muito variada e escolhida, havendo diversas coloridas”. Dado o seu caráter beneficente , o aparelho foi denominado “Cinematographico Charitas” e sua primeira projeção publica ocorreu a 5 de dezembro de 1908.” (Jornal de Piracicaba, 1961)

O segundo cinema de Piracicaba, que fazia concorrência com o Santo Estevão, foi o Bijou Theatre.

“Os preços para a sessão de estreia do Bijou, realizada às 21 horas, eram: camarotes 5$, cadeiras 1$ e geral 500 reis. E o cinema do Santo Estevão, para enfrentar a concorrência, passava a anunciar, nos intervalos, execuções das modinhas em voga, a cargo da Banda Carlos Gomes, e distribuição de brindes aos frequentadores: relógios de algibeira, despertadores, bonecas ...”

No início do século XX Piracicaba pode assistir as mais importantes produções nacionais e internacionais. Filmes como “O crime da mala”, “O crime da Rua Carioca (os estranguladores Rocca e Carletto)”, filmes baseados em crimes notórios da época, “Façanhas de um louco”, “Velhos Merchantes”, e diversos outros filmes.


Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.

Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.