Espaço MEMÓRIA PIRACICABANA

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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A propaganda no processo formador da sociedade

 Muitos dos nossos desejos e vontades são influenciados por propagandas comerciais, em TV, jornais, revistas. Quem nunca sentiu sede depois de um comercial de refrigerante, ou aquela fominha depois de passar por um outdoor na estrada? A tecnologia da última década tem mostrado a presença marcante de campanhas publicitárias em nosso cotidiano, a cada click uma marca ou serviço sendo oferecido.

           Assuntos antes vistos como tabus são retratados em comerciais de marcas famosas, caso recente são as roupas sem gênero específico, ou maquiagem para homens. No entanto, existem armadilhas. A propaganda pode ao mesmo tempo dar visibilidade para temas relevantes (nem sempre a marca realmente acredita e apoia minorias) como também pode reforçar estereótipos.


            Nas páginas da revista “Manchete” do ano de 1959 e 1964, podemos identificar muitas propagandas. É bom ressaltar que os principais leitores da revista Manchete eram mulheres da classe média brasileira, sendo assim o público alvo da publicidade, com os bens de consumo voltados a elas, ou que era considerado como sendo produtos para o público feminino. Os homens também são submetidos às propagandas, nas páginas vemos marcas fazendo a relação direta entre consumo e sucesso profissional.





Maycon Costa, discente do quarto semestre do curso de História UNIMEP.

Pesquisa realizada no acervo João Chiarini

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Ida Schalch – Uma das mulheres pioneiras na arte Piracicabana

Piracicaba tem uma rica história ligada às artes plásticas e tem o privilégio de ser casa de brilhantes artistas. No entanto, nos séculos passados, poucos deles eram mulheres, visto que se tratando daquela época, muitas não tinham espaço nem o porquê se dedicar à pintura como uma arte.

“[Ida] Ensinava pintura (...) Pintura como passatempo, menos do que arte. A moça do passado precisava conhecer algumas manualidades: a pintura, pugilar ao piano, bordar. Era uma vida simétrica, uniforme. Diziam que, com isso estava apta ao casamento”, dizia João Chiarini num texto em homenagem à ela no dia 12 de setembro de 1961, publicado na Folha de Piracicaba. 

Neste mesmo ano, Ida fazia 80 anos e se despedia de seu ateliê no Colégio Piracicabano, para se aposentar. Também pudera, já haviam se passado 40 anos ensinando pintura às alunas internas, profissão que amava desempenhar. Piracicaba e o colégio eram suas paisagens favoritas da artista para pincelar. 

Ela e suas duas irmãs estudaram no Colégio Piracicabano e se formaram professoras lá. Seu estudo da pintura começou apenas em 1911, depois de já formada, com Alípio Dutra. Quando ele teve de partir para a Europa estudar, Ida Schalch passou a ser aluna de Joaquim de Mattos. A parceria dos dois rendeu a considerada primeira exposição pública de pintura da cidade, ocorrida em julho de 1920, nos espaços da Universidade Popular.

A artista gostava muito de pintar flores e o cotidiano do Colégio. “Possui um colorido gostoso, autêntico puro (...) Com naturalismo, são significativos. Mas não só pinta flores, mas paisagens, casas e figuras. É arte imaculada mas não estilizada (...) Os seus assuntos são simples: são ela mesmo”, escreveu Chiarini.

Agora sua arte se encontra exposta embelezando os espaços do Centro Cultural Martha Watts, local onde está maior a parte de seu acervo e que guarda histórias dos anos bem vividos de Ida como professora de pintura no Colégio Piracicabano.

“Ida Schalch, mestra de gerações de anos do antigo Colégio Piracicabano, foi uma artista extremamente sensível e consciente de sua condição de mulher-artista numa sociedade ainda regulamentada pelos padrões masculinos” (FERREIRA, 1992, p.9)

Outras fontes:
- Livro “Memória, Encantamento e Beleza – Colégio Piracicabano, 125 anos” de Beatriz Vicentini Elias
- Site "A Província"


Thaís Passos da Cruz, estudante do curso de Jornalismo da UNIMEP. 
Pesquisa realizada no acervo O Diário.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Como desapareciam os mortos da tortura?


Em 1979 o jornal "O Movimento" começou a trazer temas que foram obscurecidos pela ditadura militar: como os policiais faziam para “sumir” com os torturados e mortos políticos.
A Comissão da Verdade, criada em 2011, conseguiu expor alguns dos algozes da Ditadura, no entanto, em 1979, criticar a polícia ou falar sobre desaparecidos políticos ainda era muito difícil. No final dos anos 70 ainda estávamos sob regime ditatorial, apesar de já conseguir mirar em um caminho de abertura política.


Para que tudo funcionasse de acordo, como uma cortina de fumaça, a polícia precisava de uma rede de apoio. Por conta da tortura ser legitimada pelo Estado, os assassinatos dentro de departamentos como o DOI-CODI eram comuns. Para poder “desaparecer” com os corpos sem ter que lidar com familiares e amigos buscando o paradeiro dos presos, a polícia construiu uma rede de trocas e favores, resquícios disso permanecem até os dias atuais.


Segundo a reportagem, foi criada uma conexão macabra entre PM e IML (Instituto Médico Legal), esta última fornecia atestados de óbito com informações totalmente desconexas com a realidade ao mesmo tempo em que servia de esconderijo dos corpos.

 “Em primeiro lugar, o Instituto é um poderoso fornecedor de atestados de óbitos. Graças a isto, por exemplo, é que Eduardo Leite, que usava o codinome “Bacuri”, pode ter sido entregue à sua família, em 1970, com a versão da morte em tiroteio. Sem essa máquina de atestados, como explicar o fato de Bacuri estar com os dois olhos vazados, as orelhas decepadas e todos os dentes arrancados?”.

Os chamados “cemitérios de repressão” como o de Perus, era um dos locais onde enterravam como indigentes e com nomes falsos os corpos de presos políticos.

Como era o esquema de ocultação de cadáveres?

“A polícia tomava conhecimento de um atropelamento com morte em algum ponto da cidade. Levava o cadáver do atropelado para o IML e lá o substituía pelo do preso morto. Convocava as testemunhas que viram de fato o atropelamento, o motorista que atropelou, e todas elas confirmavam honestamente. O morto era um desconhecido, enterrado como indigente.”

Essa era apenas uma das formas encontradas pela polícia para esconder as mortes sistemáticas que aconteciam nos porões das delegacias e casas de torturas.


Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.

Pesquisa realizada no acervo O Movimento.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O Congresso da UNE em Piracicaba

No início da década de 80, Piracicaba já começava a reagir mais fortemente contra o golpe militar implantado no Brasil desde 1964. A vinda do 32º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes) em outubro de 1980, no campus Taquaral da UNIMEP, gerou repercussão internacional.


O reitor da UNIMEP na época, Elias Boaventura, foi um dos principais responsáveis pela iniciativa juntamente com o prefeito João Herrmann Neto, que gerou muito incentivo, mas também manifestações contrárias. Parte da Igreja Metodista era contra o apoio ao Congresso. Paralelamente, os católicos batiam palmas para a atitude. Além da coragem do patrocínio do evento, o ato ainda tinha um claro intuito de provocação e de desafio.
“Se pretendemos nos firmar como universidade alternativa e hoje já intranquilizamos a cidade, temos que caminhar para perturbar o Estado e incomodar o país”, afirmou Elias, que já lutava pela autonomia universitária da UNIMEP, em uma matéria do jornal O Diário, em setembro de 1980.

O reitor também chegou a ir até Brasília convidar o Ministro da Educação e o da Justiça para participar do evento, levando em conta que a UNE estava organizando nos dias 10, 11 e 12 de setembro, a Greve Geral dos Estudantes como um sinal de protesto para exigir do Governo Federal maiores recursos para o setor educacional no país. Na UNIMEP, os professores e alunos aderiram à greve, mas também discutiam uma paralisação interna devido a questões financeiras. Uma matéria publicada no mesmo mês, dizia que a ADUNIMEP não iria tolerar mais salários atrasados e se nada fosse regularizado, poderiam entrar em greve no mês de outubro, o que realmente ocorreu.

No dia 13 de setembro, um telefonema do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) dizia que várias bombas seriam explodidas na Universidade durante o Congresso. Na manchete do jornal O Diário do dia seguinte, se lia em letras garrafais “Ameaças não impedirão realização do Congresso da UNE”, e na matéria, a declaração de Elias Boaventura: “Para mim isso é brincadeira de mau gosto (...) Agora, se for sério o telefonema, a minha resposta é essa: o congresso vai ser realizado. Sou homem de fé e vou substituir essa sigla, CCC para Cristo Comanda a Caminhada”.


O momento era de grande importância para a UNE, que ainda atuava na ilegalidade desde o início do regime militar, quando sua sede foi incendiada a mando do governo e muitos dos estudantes ligados ao movimento sofriam com perseguições, torturas e até execuções. O presidente da UNE, Rui César Costa Silva, agradeceu publicamente no jornal o apoio e acolhimento oferecido pela UNIMEP, Prefeitura e pelo povo piracicabano.

Foram quatro dias de evento, que apesar das ameaças foi um sucesso e reuniu cerca de seis mil estudantes de vários cantos do país. Na abertura do Congresso, estiveram presentes o ex-presidente Lula, que na época ainda era metalúrgico e estava lançando o PT (Partidos dos Trabalhadores), e figuras populares da música brasileira no “Show da UNE”: Gonzaguinha, Elba Ramalho, Sá e Guarabira, João Bosco, Ivan Lins. Uma programação cultural também foi organizada na cidade para ocorrer em locais abertos e fechados com entrada franca.

Para alojar os congressistas, foram cedidos locais pela Prefeitura, UNIMEP e Esalq, e a Comissão de Alojamento ainda criou a campanha “Adote um Estudante”, que graças à população piracicabana foi um sucesso, pois muitas famílias se dispuseram a ajudar. A alimentação era garantida por muitas merendeiras e pelo restaurante da UNIMEP, que preparavam 8 mil refeições diárias para os estudantes, que segundo eles eram de ótima qualidade.

No dia seguinte do fim do Congresso, o Jornal “O Diário” trazia diversas matérias sobre o evento e seu saldo positivo, que foi considerado por muitos até então “o melhor Congresso da UNE”. O reitor da UNIMEP, Elias Boaventura foi ovacionado pela audácia de apoiar este evento em um momento político tão crítico e sob críticas da própria Igreja Metodista.
“A UNIMEP não aceita fazer o papel de uma universidade castrada. Ela vai utilizar toda a sua rebeldia dentro do espaço que lhe é hoje assegurado”, disse Boaventura ao jornal “O Diário”.



Thaís Passos da Cruz, estudante do curso de Jornalismo da UNIMEP. Pesquisa realizada no acervo do jornal O Diário.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Foice, faca e espeto: agressão entre vizinhas

No ano de 1922 chegou ao juízo de direito da Comarca de Piracicaba a denúncia de agressão entre vizinhas, processo que hoje compõe o acervo fórum. Na tarde do dia quatro de setembro, por volta das 15 horas de uma segunda-feira, Sebastiana Maria José de 40 anos, solteira, tendo por profissão serviços domésticos sem instrução escolar, armada com uma foice de mão, golpeou a cabeça de sua vizinha Angela Victoria Dias. Segundo testemunhas, já era antiga a desavença entre as duas mulheres.

Angela teria ido até a casa de Sebastiana armada com um espeto e teria forçado a porta. Uma vizinha notou a movimentação e avisou Sebastiana que Angela havia tentado entrar em sua casa e chamam a polícia. Nesse mesmo dia, Angela derruba então um muro provisório entre sua casa e a de Sebastiana e, ao entrar no quintal, avança em sua vizinha ameaçando-a com uma faca. Para se defender, Sebastiana pega uma foice e acerta a cabeça de Angela, causando um ferimento de três centímetros na região temporal.

A promotoria pública de Piracicaba abriu uma denúncia contra Sebastiana Maria José em dezembro do mesmo ano. A sua defesa então pediu absolvição, a partir da lei vigente na época, “tendo em consideração também que Angela Victoria Dias é uma mulher dada ao vício da embriaguez e rixosa por instincta, ao passo que a denunciada é uma mulher bem-quista de todos os vizinhos, pelo seu bom comportamento e bons costumes”.

No dia 22 de Janeiro de 1923 o Juiz de Direito Rafael Marques Cantinho declarou encerrado o caso: “De acordo, portanto, com os fundamentos produzidos pela denunciada em defesa [...] pela absolvição de Sebastiana Maria José pelo dirimente do Art. 32§2° do código penal”.  



Maycon Costa, aluno do quarto semestre do curso de História UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo do Fórum.


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Mudança de Gênero

No acervo Jair Toledo Veiga, se encontra um manuscrito sobre uma autorização do Juiz da 7ª Vara da Família de São Paulo, Henrique Calandra, a um homem de 33 anos, o qual não teve sua identidade revelada, para a troca de seu nome e sexo.
O documento nos revela que naquele momento o Brasil não realizava este tipo de cirurgia. O governo brasileiro só vai autorizar oficialmente a cirurgia no ano de 2008.
Impossibilitado de fazer a cirurgia no Brasil, se deslocou então para a Suíça. Importante ressaltar que o próprio documento traz uma informação de como era visto este procedimento no Brasil: “homens que extirparam o pênis e passaram a dispor de uma ‘cavidade’ no lugar”.
           


            O documento traz mais informações como a do Juiz, da Vara de Registros Públicos de Porto Alegre, Osvaldo Peruffo, que desde o ano de 1986 enfrentou vários processos semelhantes.
            É interessante sublinhar que ao final o documento descreve que quando havia esta mudança de sexo, na certidão de nascimento da pessoa deveria se constar que o “Sexo Atual” era consequência de uma cirurgia. E há uma pequena reportagem que na América do Sul, no ano de 1991, estes procedimentos eram realizados na Colômbia, mas só se realizavam com autorização oficial ou em caso de pessoas hermafroditas.
            Como o documento informa sobre mudança de sexo, é importante não deixar de mencionar que entre os anos de 1926 a 1931 foi registrado o primeiro caso de mudança de gênero no mundo. Foi o caso de Lily Elbe, que ocorreu na Dinamarca com o artista Einar Wegener que mudara de sexo e de nome. A cirurgia a qual ela passou, na época, era classificada como um experimento. Devido a várias etapas deste experimento Lily acabou por falecer quando foi implantado um útero, ela morreu antes de completar 50 anos. Seu caso foi retratado no filme de 2016 "A Garota Dinamarquesa". 


Fontes:
Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=vjq2FgjpXow - Trailer do filme A Garota Dinamarquesa


Ana Paula das Neves, estudante do 6º semestre do curso de História da UNIMEP.
Pesquisa realizada no Acervo Jair Toledo Veiga.


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Carolina Maria de Jesus


Em uma matéria da revista Fatos & Fotos de 1966, Carolina de Jesus é entrevistada e questionada sobre o que aconteceu com a venda de seus livros. Ela tinha sido vista, naquele ano, catando papel e vivendo em extrema pobreza, mesmo depois de ter vendido milhões de livros (o aclamado “Quarto de Despejo”), que foi traduzido em 22 países e só no Brasil, até aquele momento, já tinha chegado a nove edições.


Carolina respondeu que editores alemães prometeram mais de Cr$ 6 milhões. Porém ficou esperando em vão e voltou a catar papel na rua por necessidade, pois não tinha dinheiro algum e precisava sustentar a família.



Com o pouco que ganho conseguiu comprar um pedaço de terra para plantar algumas coisas, mas mesmo assim passa necessidade. Segundo Carolina, “Aqui é o quarto de despejo. Pobre só pode oferecer a mão e a amizade.”



Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.
Pesquisa realizada no acervo Rocha Netto e João Chiarini.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Brasil Negro – Acervo Biblioteca Rocha Netto

Antonio Messias Galdino era piracicabano, jornalista, advogado e professor. Em 1988, Galdino resolveu publicar um livro com alguns artigos que tinha escrito para o Jornal de Piracicaba em razão do Centenário da Abolição da Escravatura no Brasil. O livro faz parte da biblioteca do acervo Rocha Netto.

“Iniciamos, então, alguns artigos, com a finalidade de participar com algumas ideias, reflexões, pensamentos sobre a extinção legal da Escravatura no Brasil e como se encontravam os descendentes dos escravos, cem anos depois da promulgação da lei libertária.”
Galdino

“Os fatos apresentados, os testemunhos, constituem uma forma de contribuição para o conhecimento, para a conscientização da sociedade brasileira que finge desconhecer, ignorar a discriminação racial, e o preconceito racial e social dos negros em nosso país, cem anos depois da promulgação da Lei Áurea.”

Os temas abordados no livro são diversos, como a culinária africana, o negro na política, no futebol, a música africana, o folclore afro-brasileiro.


Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.

Pesquisa realizada no acervo Rocha Netto.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Piracicaba dos anos 60

Tudo mudou na década de 60. O homem chegou à Lua, o Brasil sofreu um golpe e entrou em um Regime Militar, o mundo conhecia os Beatles, a pílula anticoncepcional surgia e aumentava-se o número de passeatas e protestos em favor de minorias. A década de 60 foi um período de grandes mudanças para o mundo todo e aqui no interior paulista isso ressoava juntamente com o progressismo que a década trazia.

Conhecida como a “Cidade das Avenidas”, Piracicaba passou por um dos períodos mais revolucionários urbanisticamente de sua história, com uma taxa de urbanização de 92,3% e a construção de grandes avenidas como a Saldanha Marinho, Carlos Botelho e Armando Salles de Oliveira, esta última sendo construída em cima do córrego Itapeva, um grande marco da engenharia na época. O prefeito em gestão, Luciano Guidotti, exibia com orgulho os títulos de “Cidade Mais Progressista do Brasil”, eleita por três anos consecutivos pelo governo de Juscelino Kubitschek. Ainda na gestão de Luciano Guidotti, foi inaugurado o tão esperado Estádio Municipal, uma nova casa para o time de coração da cidade, o XV de Novembro de Piracicaba. O preço do progresso também chegou. Nascia a primeira favela, a do Algodoal, em 1961.

A cidade estava se preocupando mais com o lazer e a cultura, aumentando o número de festivais de artes, música e artes cênicas. O Teatro Municipal (atual e desativado Dr. Losso Netto) foi finalmente criado, uma “casa de arte” prometida por Luciano Guidotti após longa espera depois que o Teatro Santo Estevam foi demolido. Porém o prédio foi entregue apenas 9 anos depois, em 1978.


Foi também na década de 60 que houve a trágica queda do Comurba, ou Edifício Luiz de Queiroz, um grande e cobiçado prédio que ficava no centro da cidade, chamado em um anúncio de 1960 no Jornal de Piracicaba de “o mais atraente Shopping Center de Piracicaba”. O desabamento foi em 1964, porém se entendeu numa novela que durou mais de uma década, até a retirada dos últimos escombros, que ficava na Praça José Bonifácio.


 Neste mesmo prédio funcionava o Cine Plaza, que foi completamente destruído enquanto se preparava para a sessão das 14h. No entanto, os piracicabanos não ficaram sem essa opção de divertimento, pois a cidade ainda possuía mais de três mil poltronas distribuídas entre cinco cinemas, atraindo principalmente os jovens que viveram nos “Anos Rebeldes”, desfilando suas minissaias e ouvindo muito Rock’n Roll. 


As crianças tinham como opção os parques infantis, com “playground completo, repleto de gangorras, balanços, tanques de areia, quadrados para trepar [...] e até piscina”. Haviam 12 desses espaços na cidade e com planejamento de construção de mais 24 parques em bairros mais afastados e na zona rural.



O famoso Parque do Mirante, os restaurantes campestres e a pescaria eram as principais atrações da cidade. Nesta década também foram criados duas boates ou “Restaurantes Dançantes” de acordo com a Folha de Piracicaba.

O edifício Trinity era demolido da noite para o dia para a construção do prédio Centenário (atual Colégio Piracicabano), com a intenção de fazer a implantação dos cursos superiores no Instituto Educacional Piracicabano, que na década seguinte daria origem à Universidade Metodista de Piracicaba. 


No Bicentenário da cidade, em 1º de agosto de 1967, foi publicado os seguintes números no Diário Oficial do município: “Piracicaba possui 7 hotéis, 5 cinemas, 2 clubes de campo, 3 rádios emissoras, 4 jornais diários, 5 clubes recreativos, 2 museus, 29 associações esportivas e recreativas, 4 associações de pesquisas científicas, 1 Centro de Folclore, 1 Associação de Cultura Artística, 20 agências bancárias e 502 estabelecimentos industriais”.



Fontes consultadas:
Site A Província
Acervo Jornal de Piracicaba (disponível no Espaço Memória)
Acervo Gazeta Esportiva (disponível no Espaço Memória)
Acervo Folha de Piracicaba (disponível no Espaço Memória)


Thaís Passos da Cruz, estudante do curso de Jornalismo da UNIMEP. 
Pesquisa realizada no acervo do jornal O Diário.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Greve na fazenda

Um processo jurídico do fórum de Piracicaba, datado de 1903, descreve uma greve que foi classificada inicialmente como pacífica. O Interessante nele é destacar que o processo é longo, tem cerca de 37 páginas e foram necessárias oito testemunhas para que o caso fosse melhor analisado.
            A greve começou no dia 27 de outubro por volta das seis horas da manhã na fazenda Taquaral, de propriedade de Luis Fabiani, natural da Itália. Fabiani mandara seu feitor Marcelino Gonçalves Adorno resolver o problema da greve e fazer com que todos voltassem ao trabalho. Os grevistas entraram na casa de João Fancci (um dos trabalhadores da fazenda) e aguardaram que Fabiani viesse para fazer um acordo com eles.
Nesta parte do processo há duas versões. A primeira versão é que o patrão foi ao encontro dos colonos portando um revólver ao lado de seus “capangas”, entre estes estava o feitor Marcelino G. Adorno e com uma foice tentou abrir a porta, e todos ouviram então um barulho de tiro de dentro da casa. Nessa versão se atribuiu este tiro ao colono Luiz Lavarazzo, que realmente estava entre os grevistas. A segunda versão é que quando o feitor Marcelino G. Adorno abre a porta com a foice, o patrão Luis Fabiani começou a atirar e algumas das balas atingiram o feitor.
Depois do ocorrido o feitor foi levado ao consultório do Doutor Alfredo Cardoso para ser socorrido. Nisso o delegado da cidade, o Major João Baptista Pedreira o interroga. Marcelino declarou que quem atirou nele foi Luiz Lavarazzo. No decorrer do processo o nome de Luiz Lavarazzo também aparece como Luigi, levando em conta que este colono é natural da Itália.
O processo só se desencadeou por conta de uma declaração feita por Maria Antonia Romeu, que pelo júri foi considerada a menos suspeita por ela ter afirmado não ser grevista. Porém, segundo consta no documento, Maria não tinha interesse em contrariar os colonos da fazenda.



 Com o decorrer do processo o júri declarou Luiz Lavarazzo como culpado, sendo preso no dia 02 de maio de 1904. Infelizmente, ao longo do processo, não é especificado o motivo da greve.


Ana Paula das Neves, estudante do 6º semestre do curso de História da UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo do Fórum.





segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Saudosos bondinhos em Piracicaba

O ônibus nem sempre foi o único meio de transporte no horizonte da cidade a locomover as massas. Os mais velhos se lembram de um tempo onde bondes faziam a ligação do centro com os principais pontos da cidade. Piracicaba chegou a ter 5 bondes, um bonde reboque e uma linha de trilhos que ligavam da Av. Dr. Paulo de Morrais, Rua Boa Morte, Rua do Rosário, Av. Rui Barbosa, Rua São João, Av. Carlos Botelho.  Os bondes faziam o transporte de trabalhadores, visitantes, donas de casa e estudantes, esses em específico foram os mais beneficiados pelos bondes. A primeira linha ligava a Praça José Bonifácio, no centro da cidade, a ESALQ, sendo também a última a operar.

Foi no ano de 1916 que os Bondes elétricos passaram a operar na cidade através da empresa estadunidense, The Southem Brasil co. Limited. A partir de 1950 a prefeitura passa a administrar os bondes e, em 1967, encerra as linhas da Vila Rezende e da Paulista. A linha da ESALQ só será fechada dois anos depois.

No espaço memória piracicabana, é possível encontrar documentos que nos mostra a relação da cidade com o bonde. Utilizado muito pelos estudantes, existia até um Passe Escolar, fornecido pela prefeitura, um talão com 50 bilhetes de uso exclusivo do aluno, que deveria previamente preencher com seus dados estudantis. O Talão, datado de 1954, que se encontra no acervo Jair Toledo Veiga, não está preenchido e com algumas folhas destacadas do seu provável uso.




Maycon Costa, estudante do 4º semestre do curso de História da UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo Jair Toledo Veiga.



Informações gerais coletadas nos seguintes sites:



terça-feira, 1 de agosto de 2017

Piracicaba completa 250 anos!

Para homenagear a noiva da colina, fica aqui um singelo registro de Flavio Toledo Piza sobre nossa cidade, as impressões que teve quando começou a morar aqui, seus pontos que mais chamaram sua atenção. 

O texto foi publicado em 1º de agosto de 1963 no Jornal de Piracicaba, em um especial de aniversário da cidade.

“Repito que a beleza em Piracicaba tudo contagia. É uma beleza espiritualizada, inacessível às definições, mas que um dia chega a transluzir até o gesto dos insanos.”


Durante todo esse mês também faremos homenagem à cidade na página do facebook do Centro Cultural ( https://www.facebook.com/centroculturalmarthawatts/ ). Publicaremos fotos do acervo de João Chiarini, imagens da cidade, nostálgicas para alguns, curiosas para muitos outros.  O fato é que a cidade mudou muito ao longo do tempo e as imagens nos ajudam a ver essas grandes transformações.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

O futebol em São Paulo - Biblioteca Rocha Netto

Dos livros raros da biblioteca do Rocha Netto, encontramos um datado de 1918 “O Football em S. Paulo” de autoria de Leopoldo Sant Anna. São pequenas biografias de centenas de jogadores do final do século XIX.


O livro está disponível para pesquisa em nosso acervo.





Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.
Pesquisa realizada no acervo Rocha Netto.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A Ilha do Inferno – O maior massacre da história prisional do Brasil, depois do Carandiru

Há 65 anos, por volta das 8 da manhã do dia 20 de junho de 1952, cerca de 300 presos iniciavam uma rebelião no presídio “Colônia Correcional Ilha da Anchieta”, conhecido como Ilha do Inferno, em Ubatuba, litoral norte do estado de São Paulo. Os amotinados atacaram os policiais de surpresa e conseguiram tomar as instalações da ilha, que só não foi incendiado e destruído completamente porque naquele dia havia cerca de 300 mulheres e crianças no prédio, que foram poupados pelos presos. Além de enfrentarem um tiroteio com os guardas, os detentos saquearam os 100 mil cruzeiros que estavam na tesouraria e os armamentos guardados na reserva de armas.

Para chegar até o continente, os presos roubaram pequenos barcos e lanchas que estavam na ilha. Uma das embarcações utilizadas, uma lancha chamada “Carneiro da Fonte”, com capacidade para cinquenta pessoas, partiu de lá levando mais de noventa presos. Por conta do excesso de peso, a lancha começou a afundar, o que iniciou uma luta por sobrevivência dentro dela. Muitos feridos foram jogados no mar e muitos foram mortos pelos próprios companheiros, para diminuir o volume de pessoas. Pereira Lima, um dos chefes do motim, assassinou com uma metralhadora cerca de trinta presos e logo em seguida os jogou no mar. Muitos dos que caíram da embarcação viraram comida de peixe. Segundo trecho da reportagem da revista Manchete de 5 de julho de 1952: “Finalmente o excedente da carga jazia nas águas ou no ventre dos tubarões e tintureiros em cardume na região (...) podendo assim a ‘Carneiro da Fonte’ chegar até o litoral”. 

A Marinha, Exército e Aeronáutica, além das forças policiais de São Paulo e Rio de Janeiro, se juntaram na busca pelos criminosos, em uma ação que durou vários dias. Seis dos 129 fugitivos nunca foram capturados.De acordo com a revista, a rebelião foi mais motivada pela vingança do que a liberdade. “Vingança dos maus tratos e do sistema desumano que reinavam naquele presídio”, como a desumanidade em que os presos eram submetidos e a péssima alimentação. Isso porque alguns guardas eram visados pelos criminosos e foram assassinados brutalmente, enquanto outros não.

Oficialmente, foram 16 mortos, entre guardas e presos, no entanto há boatos que dizem que morreram 108 prisioneiros no massacre, número nunca confirmado por fontes oficiais. “A maior tragédia dos presídios brasileiros”, conforme escrito pela revista Manchete em 1952, só foi superada 40 anos depois, no massacre do Carandiru, em 1992, com a morte de 111 detentos.
Dois anos após o massacre, o presídio foi desativado. Hoje o local está em ruínas e é preservado como relíquia histórica do Brasil, onde pode ser visitado por turistas.


Thaís Passos da Cruz, aluna do 5º semestre de Jornalismo da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Roger Bastide e a Poesia Afro Brasileira

Roger Bastide era amigo de João Chiarini. Encontramos em seu acervo muitas cartas recebidas de Bastide, muitas delas perguntando sobre termos utilizados no folclore.

Chiarini então sempre recebia livros escritos por Bastide, alguns deles com dedicatória do autor. O sociólogo francês era muito interessado pela arte e pela literatura brasileira e publicou muitos livros e artigos sobre o assunto.

O livro abaixo foi publicado em 1943 e está disponível para consulta no Espaço Memória Piracicabana.





Vivian Monteiro, Historiadora do Espaço Memória Piracicabana.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.