Espaço MEMÓRIA PIRACICABANA

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segunda-feira, 21 de maio de 2018

Fogo santo?


Com a missa de 20 anos da morte do Frei Sirgrist que será realizada no sábado (26/05), o blog do Espaço Memória Piracicabana traz para o blog um processo do acervo do Fórum referente aos frades capuchinhos em Piracicaba.

O processo tem em seus autos o incêndio ocorrido no convento dos frades no dia 22 de junho de 1911, onde foram ouvidas cinco testemunhas, todas elas membros do convento e da irmandade capuchinha.

O incêndio, de acordo com uma das testemunhas, o frade Camillo de Valda, ao acordar, sentiu um forte cheiro de fumaça vinda da Sacristia, correndo até o local, o frade se depara com o fogo. Com a ajuda de populares e de outros membros do convento, o incêndio é abafado por completo por volta das sete da manhã. Sem danos às pessoas, as testemunhas estipulam o prejuízo de 10 a 15 contos de réis.

Acredita-se que o incêndio, julgado casual, tenha se iniciado por alguma faísca que teria escapado do Turíbulo, devido à benção do Santíssimo realizada na véspera do incidente.
Outra hipótese foi de que algum membro, com o hábito de fumar escondido, tenha se assustado com algum barulho pensando ser um companheiro e jogado o cigarro próximo à sacristia, dando início ao incêndio.

Esse e outros processos estão disponíveis para a consulta no acervo do Fórum do Espaço Memória Piracicabana, no Centro Cultural Martha Watts.

André Bellaz, aluno do quinto semestre do curso de História da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo do Fórum.


terça-feira, 15 de maio de 2018

A Seleção já Decolou!


Em ano de Copa não poderíamos deixar passar algumas notas do acervo Rocha Netto. Para o blog dessa semana, o que  chamou atenção foi esse exemplar da Revista Placar de janeiro de 1998, edição nº1135, com o titulo “O Ano do Penta”. Ano em que a Copa do Mundo foi sediada na França e o Brasil, campeão de 1994, era o favorito ao título.



Da página 76 em diante, vários autores e especialistas em futebol debatem sobre as características do time brasileiro e das outras equipes, e até se atrevem a opinar quais são as favoritas e possíveis ganhadoras dos títulos da competição de acordo com suas temporadas passadas. Como demonstrado a seguir, não é nem um pouco velada à certeza de que o Brasil traria novamente o título para casa.

O craque Denilson, meia da seleção de 98, aparece “no topo” da Torre Eiffel – torre símbolo da cidade de Paris, na França – demonstrando como, para os brasileiros, o título já estava quase ganho:


A França contava com uma das seleções mais fortes de sua história em 1998, rivalizando com a geração de 1982-86 liderada por Platini. Desta vez, o grande craque era o atacante Zidane. Os franceses também tiveram um sistema defensivo muito bem montado e a boa fase do goleiro Barthez. Contrariando todas as expectativas dos especialistas esportivos do Brasil, os franceses passaram a primeira fase com três vitórias: 3x0 África do Sul, 4x0 Arábia Saudita, 2x1 Dinamarca. Depois, passaram pelo Paraguai (1x0), pela Itália nos pênaltis, e na semifinal pela surpreendente Croácia por 2x1.

No jogo final, a França dominou o Brasil com surpreendente facilidade e venceu por 3x0, com dois gols de Zidane e um de Petti. A seleção brasileira deixou o Mundial como vice-campeã, mas sem ter uma campanha brilhante. Foram quatro vitórias, duas derrotas e um empate.

A Copa do Mundo de 2018 será a vigésima primeira edição deste evento esportivo e ocorrerá na Rússia, anfitriã da competição pela primeira vez. Com onze cidades-sede, o campeonato será disputado entre 14 de junho e 15 de julho. A edição de 2018 será a primeira realizada no Leste Europeu e a décima primeira realizada na Europa, depois de a Alemanha ter sediado o torneio pela última vez no continente em 2006.

Natália Severino, aluna do quinto semestre do curso de História da UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo Rocha Netto.


segunda-feira, 7 de maio de 2018

Antologia do Folclore Brasileiro



Histórias e Lendas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina é um livro que compõe o acervo de João Chiarini e faz parte de uma coleção que se chama “Antologia Ilustrada do Folclore Brasileiro”.

Segundo Alceu Maynard Araújo

“Não importa a ascendência, lusa, negra ou ameríndia, a verdade é que nós brasileiro temos também os nossos mitos. O pai Sumé nos foi legado pelos tamoio. E Ubatuba é a praia dos tamoio. Será que foi por ali que ele andou?” (...) “Qual a origem do Saci? Cornélio Pires não sabia do seu batistério...”

Algumas lendas que estão no livro





Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Querida Antoninha


O Espaço Memória Piracicabana contém em seu acervo pouco mais de 13 mil processos do Poder Judiciário de Piracicaba, datados de 1801 até 1946, que nos ajudam a reconstruir e contar parte da história da cidade e até mesmo tecer relações entre os acontecimentos da cidade com as transformações ocorridas no país em diversos períodos. O processo que trago hoje – datado de 1922 – relata um caso de violência contra a mulher por motivações “passionais”. O termo passional, utilizado para caracterizar o crime, faz referência a um sentimento ou emoção em que existe um alto grau de afeto ou de sentimento de posse em relação à vítima, até recentemente usado para justificar casos de feminicídio no país.


Quatro de maio de 1922: A denúncia era oferecida contra Antonio de Macedo Ferreira, que aparentemente possuía uma pequena empresa de aluguel de veículos. Ao ficar sabendo que a mulher pela qual se interessava,  Antonia da Costa, contratou um de seus funcionários para transportá-la ao trabalho, fez de tudo para substituir o funcionário no serviço contratado por Antonia, a fim de declarar-se para ela e pedi-la em casamento. Antônia não correspondeu aos seus sentimentos, mas Antonio preferiu insistir e, mais tarde naquele dia, se dirigiu até as proximidades da casa de Antonia fazendo com que chegasse até ela uma carta onde novamente expressava seus sentimentos e desejos.

Dez de maio de 1922: Com raiva por não ter obtido resposta de sua carta de “amor”, Antonio embriagou-se e, movido por um desejo de vingança, se dirigiu armado até a casa de Antonia e esperou até que ela aparecesse na janela, porém, quem apareceu foi sua irmã. Antonio então desferiu 2 tiros contra a sombra que acreditava ser de Antonia. Os tiros acertaram apenas as janelas, estilhaçando os vidros.

O Brasil ocupa hoje o quinto lugar entre os países que mais mata mulheres. Uma em cada três mulheres sofre algum tipo de violência, mas apenas 6% realizam as denuncias e 38% dos feminicídios em todo o mundo são cometidos pelos companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Esse é apenas um processo dentre outras centenas com o mesmo tema aqui no acervo do Fórum.
Todo esse material pode ser consultado na íntegra aqui no Espaço Memória Piracicabana.

Natália Severino, aluna do quinto semestre do curso de História da UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo do Fórum.


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Muitos Lulas


(...) No cubículo mal iluminado, quatro operários falam de suas condições de vida, o papel de Lula e as vantagens do sindicato. O sergipano, baixinho e forte, cerca de 20 anos, cabelos curtos enrolados, é um dos que estiveram no ato de ocupação do sindicato, quando alguns milhares de operários puseram 8 viaturas policiais e o interventor para correr, na sexta-feira, 23 de março, um dia após o governo ter cassado a diretoria dos Metalúrgicos de São Bernardo. Ele – como uns 20% da categoria – ganha 13,26 cruzeiros por hora, 3.320 por mês, antes do dissídio de maio. “Tomei umas borrachadas, mas aprendi”, relembrava animado. “A gente pegava as bombas da polícia no ar e enfiava de volta nos filhos da gota”.


Em maio de 1979, o jornal Movimento fez uma matéria especial sobre os vinte anos do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Na época, já haviam ocorrido cerca de 131 greves desde a posse do general Figueiredo e Lula era o grande expoente da militância operária do ABC.

“O sergipano conclui seus pensamentos: “A gente chama greve, mas o que é, é a união de todos nós. Mesmo o lula estando fora, o que ele fala nós fazemos. E se ele não fala nada nós fazemos por conta da gente”. O seu sentimento é comum por todo este vasto mundo de 200 mil metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, municípios onde se concentra a maior parte da classe operária que trabalha na grande indústria automobilística de São Paulo.”

A reportagem busca mostrar um pouco a história desses operários, do sindicato e, claro, de Lula. Interessados pela leitura, na íntegra, é só passar aqui no Espaço Memória Piracicabana.


Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.
Pesquisa realizada no acervo Jornal Movimento.



quarta-feira, 18 de abril de 2018

A Cultura Oral Presente No Lundu


O Espaço Memória Piracicabana, como já citado, abriga o acervo de João Chiarini, onde estão armazenados diversos materiais sobre folclore nacional e internacional. Vasculhando esse enorme acervo, encontrei um antigo Lundu, uma espécie de cantiga que foi enviada, por Francisco Oliveira Filho, com uma carta à Chiarini em 28/07/1976 para que ele pudesse “observar a influência do antigo escravo africano para alguma de suas pesquisas sobre o folclore nacional”.
“Lundu de Pai João”, provavelmente composto no século XIX, após 1837 (pela menção à Casa de Correção), já contém uma crítica à sociedade branca escravagista. Logo abaixo temos alguns trechos da cantiga onde podemos ver o personagem relatando situações de seu cotidiano enquanto escravo:


I
QUANDO IÔ TAVA NA MINHA TERA
IÔ CHAMAVA CAPITÃO,
CHEGA NA TERRA DIM BARANCO,
IÔ ME CHAMA – PAI JOÃO.
 (...)
V
BARANCO – DIZE QUANDO MÔRE
JEZUCRISSO QUE LEVOU,
E O PRETINHO QUANDO MÔRE
FOI CACHAXA QUE MATOU.
(...)
VIII
NOSSO PRETO FRUTA GARINHA
FRUTA SACO DE FEIJÃO
SINHÔ BARANCO QUANDO FRUTA
FRUTA PRATA E PATACÃO.
IX
NOSSO PRETO QUANDO FRUTA,
VAI PARÁ NA CORREÇÃO
SINHÔ BARANCO QUANDO FRUTA,
LOGO SAI SINHÔ BARÃO.


Pai João representa a figura central de um ciclo de histórias, contos e Lundus, coletados por folcloristas a partir do século XIX. O surgimento desse ciclo de tradições orais dessa figura nesse período da história brasileira se dá de um lado no contexto das lutas abolicionistas e dos debates da questão racial postos pela Abolição da Escravidão e, de outro lado, pela inauguração dos estudos folclóricos no Brasil, que se ocuparam em catalogar parte dessa cultura oral, como os Lundus, contos e cantigas de roda.
O personagem de Pai João em suas cantigas assume por vezes o perfil do escravo africano sofredor, submisso e resignado, frequentemente ingênuo e cheio de bondade, fiel ao seu senhor. Em outras ele encarna o escravo preguiçoso e lerdo, outras, ele é o escravo atrevido, esperto e vingativo.


Todo esse material pode ser consultado na íntegra aqui no Espaço Memória Piracicabana.
Natália Severino, aluna do quinto semestre do curso de História da UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Revista do XV


Em 1994, Maurício Cantoni (com ajuda de Rocha Netto) foi responsável por contar um pouco sobre a história do XV de Piracicaba na revista do clube.


Sobre o profissionalismo do XV, Cantoni escreve que:

“No amadorismo o XV ganhou quase todos os títulos do Campeonato da cidade de Piracicaba até o ano de 1946, quando também disputava os regionais. No entanto, a história do clube começou a se desenhar com linhas coloridas no dia 11 de março de 1947, quando o Conselho Deliberativo do XV aprovou seu ingresso na divisão profissional, como um dos fundadores do futebol remunerado do interior, contando com o fundamental apoio do presidente da Federação Paulista de Futebol, Roberto Gomes Pedrosa (goleiro da seleção brasileira de 1934). O alvinegro sagrou-se campeão deste certame, mas como em 1947 ainda não estava em vigor a Lei de Acesso, o clube teve de se contentar em ser apenas “o primeiro campeão profissional do interior do estado”. Presidido em 1948 por Gerolamo Ometto, o XV disputou o primeiro campeonato que dava acesso à divisão de elite do futebol paulista, atuando ao lado de 48 equipes do interior, distribuídas em 3 séries de 14. O alvinegro sagrou-se campeão da série preta com 14 pontos ganhos e enfrentou, nas eliminatórias entre os líderes, o Rio Pardense no Campo do Juventus, vencendo-o por 2 a 1, suplantando ainda o Linense no Parque Antártica pela elástica contagem de 5 a 1. O XV se tornou bicampeão profissional do interior com time inesquecível, composto por Ari, Elias, Idiarte, Cardoso, Strauss, Adolfinho, De Maria, Sato, Picolino, Gatão e Rabeca. O XV teve dois técnicos nesta temporada: Moacir de Moraes e Eugenio Vianni. Segundo o jornalista Delphim Ferreira da Rocha Netto, profundo conhecedor da história do clube, foi no ano seguinte que o alvinegro recebeu o apelido de “Nhô Quim’. Depois de conquistar o torneio início em 1949, passando por equipes tradicionais como Nacional, Palmeiras, Ipiranga e São Paulo o clube piracicabano conquistou grande respeito e prestígio na capital.”

Essa e outras histórias do XV de Piracicaba podem ser pesquisadas aqui no Espaço Memória.


Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.
Pesquisa realizada no acervo Rocha Netto.