Espaço MEMÓRIA PIRACICABANA

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segunda-feira, 12 de março de 2018

Curiosidades e Cordéis



Recentemente, pesquisando no acervo de João Chiarini, encontrei alguns papéis que resumiam a sua vida profissional. Vou listar aqui algumas dessas curiosidades:

“01 – Filho de italiano e de espanhola. Começou os seus estudos em 1926, no Externato São José local;
 02 – Em 1932 recebeu o 1º elogio público de Fausto Liex, então Diretor da Escola Normal Oficial de Piracicaba, pela sua atuação no Correio Militar Constitucionalista;
 03 – Em 1933 ganhou o Prêmio Literário de o “O Tico-Tico”no Rio de Janeiro. Daí o seu início nas Letras. Pertenceu a quase todas as Academias do país e aos seus Centros Culturais e Artísticos;
 04 – Foi professor em 1941 e se formou sociólogo em 1943. Fundou o Centro de Folclore de Piracicaba, em 1945 e em 1946 recebeu o I Prêmio de Monografias sobre o Folclore Musical Brasileiro, da Prefeitura do Município de São Paulo. Escreveu mais 26 trabalhos sobre o Folclore em geral;
05 – É citado em todos os livros sobre Folclore a partir de 1942;
06 – Escreveu em vida mais de 2 mil artigos sobre os assuntos mais diversificados;
07 – Quatrocentos e seis livros possuem o seu prefácio (1950-1986);
08 – Participou por um ano (1956) do programa de televisão “O Céu é o Limite”, respondendo perguntas sobre o folclore internacional;”
Chiarini era também constantemente homenageado em livrinhos de cordel. Rodolfo Coelho Cavalcante, um cordelista da Bahia e amigo de Chiarini, fez um cordel em sua homenagem:
“Nasceu Doutor João Chiari/ Na cidade paulistana/ Por nome Piracicaba/ Cuja terra é soberana/ No Folclore que irradia/ Seu clima e topografia/ Todo turista se ufana
(...)Aonde houvesse folguedos/ Do Folclore Nacional/ João Chiarini, em criança,/ Corria até o local/ E bastante embevecido/ Interrogava o sentido/ Da sua origem, afinal.”
Todo esse material pode ser consultado aqui no Espaço Memória Piracicabana.

Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Espaço Memória Piracicabana - Informes!


O Espaço Memória Piracicabana ainda está em fase de higienização, mas já estamos abertos para atender pesquisadores e visitantes.

Aqui temos disponível para consulta os acervos: João Chiarini, Acervo Rocha Netto, O Diário de Piracicaba,  Jornal O Movimento, Acervo Jair Toledo Veiga, Acervo  IEP (Instituto Educacional Piracicabano) e o Acervo do Fórum.
Todos esses acervos já tiveram publicações específicas aqui no Blog e é só pesquisar no campo superior direito ou nas palavras-chave.
Semana que vem voltamos ao normal com as postagens do blog.

Equipe CCMW

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Feliz Natal!

Nós, do Centro Cultural Martha Watts, desejamos a todos um FELIZ NATAL e um PRÓSPERO ANO NOVO!


O Blog ficará um tempinho sem atualizações, pois temos que nos concentrar na higienização do acervo. O Centro Cultural também entra em férias a partir do dia 26 de dezembro e só reabre no início de fevereiro.

Em breve voltaremos com textos semanais!



BOAS FESTAS!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Julião, Nordeste, Revolução: A luta pela Reforma Agrária em Pernambuco

O livro da jornalista e socióloga Lêda Barreto “Julião-Nordeste-Revolução” faz parte do acervo João Chiarini e conta a história de Francisco Julião, um  advogado militante das ligas camponesas do agreste Pernambucano. Lutou incansavelmente ao longo de toda sua vida junto à SAPPP (Sociedade Agrícola e Pecuária dos Plantadores de Pernambuco) e pela Reforma Agrária na região.

“Julião não é um político que descobriu a massa camponesa para marchar com ela – ele é a própria voz dessa população rural que atinge os 40 milhões, mais da metade do total demográfico do Brasil. Nascido no campo, conhecendo de perto as angústias dessa massa abandonada, Julião foi procurado como advogado pelos camponeses da primeira Liga para defender-lhes os interesses numa questão de terra.”

No livro, Julião fala sobre ser marxista e respeitar a mística do campesinato brasileiro:

“Sou um radical mas não sou um sectário, declara Julião a esta repórter. O radicalismo não é uma limitação. Por isso respeito o misticismo camponês. O brasileiro de um modo geral e especialmente o camponês é, antes de tudo, um místico. Quero explicar porque na verdade tenho o maior respeito a este traço da personalidade do brasileiro, apesar de ser marxista. Libertei-me do misticismo mas não vou impor ao povo meu materialismo. Devemos aceitar o povo como êle é. Levo às massas uma mensagem que até hoje não lhes fôra levada e chego a elas através dos instrumentos que já estão sedimentados na sua consciência. Assim é que a figura do Cristo, com o seu conteúdo místico, não fica diminuída por uma análise puramente humana. Vejo o Cristo, abstraindo-me do aspecto divino, como o homem que libertou o seu povo da opressão romana, utilizando processos revolucionários para o seu tempo. Foi um verdadeiro rebelde contra os poderosos. Onde foi buscar os seus apóstolos? Entre os mais humildes, os pescadores principalmente.”

O livro também traça um panorama econômico, político e social do Nordeste brasileiro do período (década de 1960).

Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.

Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Projeto Jari - grilagem e desmatamento na Amazônia

O jornal “O Movimento” de 1979 denunciou o Projeto Jari, uma multinacional construída na Amazônia, na confluência entre o Rio Jari e Amazonas,  por Ludwig, um bilionário norte americano. Tudo em torno desse “projeto” de exploração de celulose se tornou suspeito, incluindo as declaradas relações de Ludwig com o regime ditatorial brasileiro.
“Venha mesmo para o nosso país, Mr Ludwig. O Brasil agora é um país seguro.” Com estas palavras o Marechal Castello Branco recebia em 1967 o milionário norte americano Daniel Ludwig, e lhe abria as portas do país, que é, segundo Otávio Ianni, ‘ uma das mais típicas manifestações da economia política da ditadura instalada no Brasil desde 1964.’’ As ligações políticas, econômicas e exploratórias de Ludwig iam desde relações próximas com Nixon até a fabricação de armas químicas durante a guerra do Vietnã. No entanto, seu império financeiro era proveniente do transporte de petróleo, da exploração de turismo e casas de jogos.

A primeira questão destacada na reportagem é que Ludwig se apropriou ilegalmente de mais de 3 milhões de hectares na Amazônia, um espaço três vezes maior do que ele tinha conseguido inicialmente. Além disso, tudo o que foi criado em torno da sua multinacional no Brasil era baseado na exploração de mão de obra barata e no não pagamento de impostos.
A reportagem detalha todos os segredos por trás do Projeto Jari e tem com fonte o livro “Projeto Jari: a invasão americana: as multinacionais estão saqueando a Amazônia”. Os autores são dois jornalistas e um professor da Fundação Getúlio Vargas: Jaime Sautchuk, Sérgio Buarque de Gusmão e Horácio Martins de Carvalho.
Para quem quiser se aprofundar mais no tema a matéria na íntegra está disponível para consulta aqui no Espaço Memória Piracicabana.

Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.
Pesquisa realizada no acervo jornal O Movimento.


terça-feira, 28 de novembro de 2017

Aborto Clandestino em Piracicaba

Os motivos para uma mulher vir a optar por um aborto são muitos. Mas seja qual for, a decisão de induzir a morte do feto é perigosa porque pode custar também a vida da mãe. O desejo de não dar à luz ao filho que já estava com 2 a 3 meses de gestação, fez a jovem A.R. procurar uma parteira para praticar o ato, em março de 1945. A jovem, que tinha 21 anos, era de origem humilde e morava com o marido e seu filho de 3 anos no “bairro da Bimboca”, em Piracicaba.
Capa do processo

Segundo relatos de testemunhas, a “parteira prática” introduziu no corpo uterino da jovem uma sonda de borracha, a fim de provocar o aborto. Ao sair da consulta, a jovem A.R. encontrou a amiga A. B. no consultório, que esperava para ser atendida. As duas resolveram ir juntas para a casa, e no caminho, A. R. contou que já era a segunda vez que abortava com aquela parteira. 

O aborto, porém, não foi bem-sucedido. A jovem começou a passar mal e ter uma forte hemorragia, e ao invés de procurar um médico, resolveu procurar outra parteira. Chegando lá, a parteira injetou duas injeções de “Ergotina” na jovem, fazendo o feto ser expelido, junto com um pedaço de tubo de borracha (sonda que a primeira parteira havia introduzido) e uma mecha de algodão.
Os dias se passavam e a hemorragia aumentava. A.R. começou a adoecer cada vez mais e não estava conseguindo esconder suas dores. Dois médicos foram chamados para atendê-la, mas apenas um deles conseguiu identificar que ela havia sofrido um aborto induzido. Então, pressionada pela mãe e pelo marido, teve de contar o que havia acontecido. Ao saber do ocorrido, seu marido decidiu interná-la no hospital para que pudesse ser melhor medicada. No entanto, a hemorragia da jovem durou 20 dias e não houve melhoras. O óbito se deu naquela mesma noite. 
No processo, guardado no acervo do Fórum de Piracicaba, no Espaço Memória Piracicabana, há o depoimento de sete testemunhas. A primeira parteira, já havia sido processada por um crime de mesma natureza em 1939. No entanto, acabou ficando pouco menos de dois meses presa e foi solta pela justiça. Em depoimento para este caso à polícia, a parteira dizia não conhecer a jovem falecida. Com esse depoimento ela contrariava quatro das testemunhas que ouviram a jovem contar sobre o ocorrido. Disse também que nunca mais realizou aborto desde que foi processada e presa, seis anos antes. Já a segunda parteira confessou que atendeu a jovem, mas em sua defesa, colocava a culpa pela morte na primeira parteira, pois ela que havia introduzido a sonda no corpo da jovem. Antes que fossem julgadas, as duas tiveram a prisão preventiva decretada.

Thaís Passos da Cruz, estudante de Jornalismo da Unimep. 
Pesquisa realizada no acervo do Fórum. 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Iconografias de Douglas Mayer: Brasil Negro

  A obra Brasil Negro de Antonio Messias Galdino é resultado de um compilado de 156 artigos publicados no Jornal de Piracicaba em 1988 em decorrência dos 100 anos da Lei Áurea. O livro Brasil Negro já foi objeto de análise no blog Espaço Memória Piracicabana, porém, neste artigo procuro demonstrar o diálogo entre as imagens de Douglas Mayer e os textos que deram origem ao livro de Antonio Messias Galdino. As ilustrações tem papel importante desta obra singular, que causa impacto e interpretações diversas, personificando os temas abordados nos artigos. 

 Com o título ‘‘Um povo sem história’’ o artista, através da imagem, representa a crítica que o texto de Galdino traz sobre o ‘apagar das raízes africanas.
‘‘Um povo sem raiz está solto no espaço, sem nenhuma ligação com o passado. A destruição dos documentos sobre a escravidão lançou os negros no espaço, impedindo a busca de suas raízes e conhecimento dos seus antepassados’’.





O texto ‘‘Brasil: um país de mestiços’’ nos dá dados históricos das etnias originárias da nossa sociedade atual. Tendo os povos africanos grande influência na cultura e ornamento social, porém sendo historicamente tratada como inferior mesmo após a abolição da escravidão essa situação não muda. “A influência da cultura negra está presente em todos os aspectos da vida brasileira, iniciada na própria formação étnica do povo brasileiro, através da miscigenação’’.



 No artigo publicado em 23/07/1988 ‘‘O negro é marginal na vida política”, Galdino elenca vários aspectos da representação negra na política nacional. Se as massas não têm consciência política e a maioria da população é composta por negros, logo os negros são usurpados de sua consciência política.  A representação do artista Mayer faz alusão ao voto não politizado que gera essa marginalidade política.



O livro destaca também a atuação do negro brasileiro no âmbito religioso, cultural e esportivo que, devido a essa diversidade, torna nossa cultura singular e rica. Segue a baixo as imagens representativas de Mayer:







Maycon Costa, aluno do quarto semestre do curso de História da UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo Rocha Netto.