Espaço MEMÓRIA PIRACICABANA

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segunda-feira, 15 de julho de 2019

Nome ou brincadeira?


No dia 10 de janeiro de 1945, foi publicado no jornal “Diário de Piracicaba” uma orientação aos pais e aos tabeliães quanto aos nomes escolhidos para o registro das crianças e afirma a grande responsabilidade deste ato. Na matéria, de Silvio A. de Souza, nos conta a história de um pai que insistiu em nomear seu filhinho de Cretino:
“Um cunhado meu, juramentado, tem feito malabarismos para evitar dislates* de tal natureza; para justificar o que alego, é bastante dizer que um pai queria, a toda “fôrça”, colocar no inocente filhinho o nome de Cretino.”.

O autor também critica a adesão de nomes compridos para as crianças, observando, em contraponto, o nome de um aluno que se chamava Og Sá. De acordo com ele, nome simples e incisivo. Além da quantidade, o uso de nomes de homens famosos, como Benjamin Constant, Rui Barbosa da Silva e etc., era desencorajado por Silvio, já que muitas vezes não condizia com a personalidade da criança que o tinha, comparando isto a “bebidas falsificadas”, ou seja, de excelentes rótulos, mas de sabor duvidoso.
Por fim, o autor brinca com o desprestígio de nomes nacionais e diz que em outra vida, gostaria de ter um nome estrangeiro para mais sucesso:

“Também os nomes nacionais estão muito desprestigiados; e, quanto a mim, quereria voltar em outra oportunidade, aqui mesmo, para o grande S. Paulo, com um nome estrangeiro, bem estrangeiro, para mais sucesso e melhor sorte...”. 


*Dislates significa besteira, bobagem.


Nathália Cristina da Silva, aluna do 6º semestre de História na Unimep.
Pesquisa realizada no acervo O Diário.


terça-feira, 28 de novembro de 2017

Aborto Clandestino em Piracicaba

Os motivos para uma mulher vir a optar por um aborto são muitos. Mas seja qual for, a decisão de induzir a morte do feto é perigosa porque pode custar também a vida da mãe. O desejo de não dar à luz ao filho que já estava com 2 a 3 meses de gestação, fez a jovem A.R. procurar uma parteira para praticar o ato, em março de 1945. A jovem, que tinha 21 anos, era de origem humilde e morava com o marido e seu filho de 3 anos no “bairro da Bimboca”, em Piracicaba.
Capa do processo

Segundo relatos de testemunhas, a “parteira prática” introduziu no corpo uterino da jovem uma sonda de borracha, a fim de provocar o aborto. Ao sair da consulta, a jovem A.R. encontrou a amiga A. B. no consultório, que esperava para ser atendida. As duas resolveram ir juntas para a casa, e no caminho, A. R. contou que já era a segunda vez que abortava com aquela parteira. 

O aborto, porém, não foi bem-sucedido. A jovem começou a passar mal e ter uma forte hemorragia, e ao invés de procurar um médico, resolveu procurar outra parteira. Chegando lá, a parteira injetou duas injeções de “Ergotina” na jovem, fazendo o feto ser expelido, junto com um pedaço de tubo de borracha (sonda que a primeira parteira havia introduzido) e uma mecha de algodão.
Os dias se passavam e a hemorragia aumentava. A.R. começou a adoecer cada vez mais e não estava conseguindo esconder suas dores. Dois médicos foram chamados para atendê-la, mas apenas um deles conseguiu identificar que ela havia sofrido um aborto induzido. Então, pressionada pela mãe e pelo marido, teve de contar o que havia acontecido. Ao saber do ocorrido, seu marido decidiu interná-la no hospital para que pudesse ser melhor medicada. No entanto, a hemorragia da jovem durou 20 dias e não houve melhoras. O óbito se deu naquela mesma noite. 
No processo, guardado no acervo do Fórum de Piracicaba, no Espaço Memória Piracicabana, há o depoimento de sete testemunhas. A primeira parteira, já havia sido processada por um crime de mesma natureza em 1939. No entanto, acabou ficando pouco menos de dois meses presa e foi solta pela justiça. Em depoimento para este caso à polícia, a parteira dizia não conhecer a jovem falecida. Com esse depoimento ela contrariava quatro das testemunhas que ouviram a jovem contar sobre o ocorrido. Disse também que nunca mais realizou aborto desde que foi processada e presa, seis anos antes. Já a segunda parteira confessou que atendeu a jovem, mas em sua defesa, colocava a culpa pela morte na primeira parteira, pois ela que havia introduzido a sonda no corpo da jovem. Antes que fossem julgadas, as duas tiveram a prisão preventiva decretada.

Thaís Passos da Cruz, estudante de Jornalismo da Unimep. 
Pesquisa realizada no acervo do Fórum. 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Falam as vítimas do Terror Policial

No acervo do Jornal “O Movimento”, periódico de esquerda que circulou durante parte do período de Regime Militar, é sempre presente críticas e denúncias de abusos de poder cometidos pelos militares e pela força policial do país, abusos esses intensificados durante o Regime Militar.

Porém, nesse texto, o que pode ser encontrado são depoimentos de vítimas da repressão policial ocorrida durante o Estado Novo (1937 – 1945).



A matéria trata-se de um compilado de trechos dos depoimentos de presos torturados no período citado, depoimentos esses prestados a CPI de 1947 “que pretendia, com seu trabalho, contribuir para que aqueles atos nunca mais se repetissem”.

Os depoimentos são de seis militantes cujos nomes se tornaram alguns mais conhecidos que os outros, e são eles: Olinto Semeraro, Carlos Marighella, que em seu depoimento cita também o discurso de João Mangabeira, João Alves da Mota, David Nasser e Luiz Carlos Prestes.

No trecho do depoimento de Olinto Semeraro ele nos conta:
 “Vi uma criança com três anos de idade, e soube que um senhor Caruso era acusado, como integralista, de ter colocado bombas na polícia central e estava desaparecido – exilado dizia-se – na embaixada portuguesa. Um investigador perguntou à esposa de Caruso se sabia onde estava seu marido. Como disse ela que não sabia, o investigador, apelidado de Buck Jones, ameaçou queimar a criança com um charuto. Protestaram as pessoas que se encontravam na sala (...) mas a ameaça foi levada a efeito (...)”

Em outro trecho o jornalista David Nasser cita um depoimento tomado para seu livro “Falta Alguém em Nuremberg”, depoimento dado pelo comandante do ataque integralista ao Palácio da Guanabara em 1938, Severo Fournier:

“Fournier ficou em uma cela úmida, até que ficasse bastante gripado, depois foi colocado num lote de tuberculosos que morreram meia hora antes, no mesmo lençol, cheio de hemoptises etc. Contraiu então a tuberculose, na prisão. (...)”


E ainda finalizando a matéria temos o depoimento de Luiz Carlos Prestes, então senador pelo Partido Comunista, ex-militar e líder da conhecida “Coluna Prestes”, onde ele diz:
 “(...) Eram operárias, inclusive mulheres – pois ouvia os gritos pela janela do meu quarto, através do qual, olhando enviesado, se percebia a garagem da Polícia. Ali todas as noites, desde as 10 ou 11 horas até alta madrugada, às 2 ou 3 horas da manhã, se ouviam e viam as mais degradantes cenas de espancamento, provocando gritos dolorosíssimos. (...)”


Esse e outros temas relacionados ao jornal “O Movimento” podem ser pesquisados no acervo do Espaço Memória Piracicabana no Centro Cultural Martha Watts.


Guilherme Erler Pedrozo, aluno do 3º Semestre de História da UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo Jornal O Movimento.





sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Rendeu-se a Alemanha


Capa do Jornal "O Diário" 29 de abril de 1945 sobre a rendição da Alemanha Nazista



No dia 29 de abril de 1945, domingo, o Jornal “O Diário” traz em sua capa a seguinte matéria: “Rendeu-se a Alemanha”.
A matéria exalta a vitória do eixo aliado e seu sacrifício pela liberdade no mundo, lembrando daqueles que tinham perdido suas vidas na guerra, exaltando que a democracia tinha vencido a tirania, lembrando dos soldados da F.B.E. (Forças Expedicionária Brasileira), sua bravura e sacrifício, e que logo eles poderiam ter a alegria de ver os jovens brasileiros de volta a pátria.
Traz também a alegria dos cidadãos de Piracicaba ao receber a noticia pelas rádios de que a guerra tinha acabado. Enquanto a noticia era transmitida a sirene da praça central começou a soar, e uma grande massa popular se reuniu na praça, estes soltaram rojões até altas horas da madrugada.
  Via-se em cada rosto, em cada alma, o jubilo pelo fim da guerra, os alunos do Colégio Piracicabano estenderam a bandeira do Brasil em frente à escola e saíram em passeata juntando-se a grande massa que estava nas ruas.  
A redação do Jornal “O Diário” foi invadida por grupos de pessoas que queriam confirmar as noticias. Segundo o jornal esta nova viera de um alto funcionário de Washington D.C.


Tiago Favaris, aluno do terceiro semestre de sistemas de informação da UNIMEP. Pesquisa realizada no Acervo: O Diário.