Espaço MEMÓRIA PIRACICABANA

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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Violência contra a Mulher, mais um caso



Um processo do Fórum, de 1939, narra mais um caso de violência contra a mulher, tendo como autor o marido da vítima.  Mariana, 22 anos, deu entrada na Santa Casa de Piracicaba após levar um tiro de garrucha no rosto. Segundo a vítima, ela viu seu marido, Osório, na esquina conversando com uma pessoa que não conhecia e o chamou, porém ele não atendeu seu chamado. Após insistir, passou a xingar o companheiro.


Quando Osório retornou para a casa, passaram a discutir, e Mariana foi para a casa de seu pai, retornando ás 22 horas. Segundo a mulher, quando retornou, o marido estava deitado, e ela passou a insultá-lo, chamando-o de “cachaceiro”. Ele se levantou e tentou sair de casa, sendo impedido por ela.  Enfurecido, o homem pegou a garrucha, que estava sobre um móvel e fez um disparo contra a esposa, atingindo-a no rosto. Mariana saiu correndo em direção a casa de seu pai, onde foi socorrida e atendida pelas autoridades, Osório chegou pouco depois,  entregando-se.

Um depoimento similar foi dado por Osório, no qual confirmou ter atirado contra a esposa e algumas testemunhas foram ouvidas pelo delegado, mas não acrescentaram detalhes, exceto que as discussões entre o casal eram constantes.

Um laudo médico detalhou o grave ferimento “[...]ao exame apresenta: um ferimento por bala no rosto: o instrumento vulnerante penetrou na região masseteriana esquerda, onde ha queimaduras de polvora deflagrada junto ao orificio de entrada, e sahiu pelo ouvido direito[...]ocasionando abundante hemorrhagia nasal e pelo ouvido direito[...]”.

Apesar da gravidade do ferimento, o relatório do delegado já demonstrava que o caso não teria maiores consequências para o acusado. A promotoria do caso tentou agravar a pena, pois, a agressão teria sido contra a esposa. Porém, a defesa alegou que Osório estava fora de si, e a esposa o teria ofendido, também ofendendo sua mãe, já falecida.

O juiz declarou Osório culpado pelo crime, contudo, sem acrescentar agravantes e colocando atenuantes que diminuíram a pena.

“Nessas condições, julgo provada a dennuncia[...]como condeno, o réu Osório a cumprir, na cadeia publíca local, a pena de cinco mezes e quinze dias de prisão[...] Custas pelo réu que tambem deverá pagar cincoenta mil réis de selo penitenciario[...]”

Posteriormente, a defesa recorreu da sentença, alegando que Osório era primário, e que não demonstrou caráter perverso. A defesa alegou ainda que o condenado era pobre e não poderia custear o valor sentenciado. Resultando no abrandamento da pena.

Adriano Zaulkauskas, aluno do sétimo semestre do curso de História, da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo Fórum.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Edda Mussolini visita Piracicaba


O ano de 1939 representa uma época fatídica nos acontecimentos da política mundial, é nele que se inicia a 2ª Guerra Mundial, um dos episódios mais marcantes do século XX.

O jornal “O Diário”, que circulava em Piracicaba (SP) no período, foi responsável por relatar a visita de uma condessa que tinha por sobrenome um dos nomes mais conhecidos no contexto político mundial, Edda Mussolini.

Edda Mussolini Ciano era esposa do Sr. Conde Ciano, ministro do exterior da Itália, e filha de Benito Mussolini, chefe do governo Italiano e criador do partido fascista. Com sua comitiva, Edda visitou algumas cidades do Brasil, entre elas Piracicaba, a convite da família Morganti, donos da fazenda Monte Alegre.

No dia 31 de Maio um anúncio na página principal de “O Diário” convidava a população para saudar a visitante:


Na data da visita, uma correção sobre o local do encontro era anunciada:


No outro dia, um artigo de capa descrevia a visita ocorrida. Recebida com todo um cerimonial na fazenda Monte Alegre, com a presença de autoridades, uma orquestra era responsável por tocar os Hinos do Brasil, da Itália e a marcha fascista em sua recepção.


A condessa almoçou e visitou rapidamente as instalações do local e partiu rumo a Estação da Paulista, onde uma multidão a aguardava. Por fim, a visita acabou de maneira pouco feliz para a população que queria saudar a condessa, como conferimos no trecho a seguir:


Adriano Zaulkauskas, aluno do sétimo semestre do curso de História da UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo O Diário.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Corrida Automobilística de 1939


O post dessa semana é de autoria de Rocha Netto, de 1993, publicado na sua “Coluna do Rocha Netto” (Jornal de Piracicaba). Nessa publicação, Rocha Netto recorda a prova automobilística “Adhemar de Barros”, de 1939. Nesse ano, Rocha Netto completava 20 anos de idade.
As  corridas aconteciam nas ruas onde hoje é quase impossível imaginar uma disputa automobilística. Competiam na Rua Armando Salles e passavam por todo o centro da cidade, sem qualquer barreira de proteção entre público e carros em alta velocidade.

“No dia 28 de agosto de 1939 Piracicaba assistiu a uma importante prova automobilística, denominada “Grande Prêmio Adhemar de Barros”, em homenagem ao Interventor em São Paulo, durante o Estado Novo (1938-1941).
Essa corrida foi levada a efeito pelo Automóvel Clube de Piracicaba, e da Prefeitura Municipal local, que tinha à sua frente o saudoso sr. Ricardo Ferraz de Arruda Pinto. O público piracicabano compareceu em grande número ao acontecimento, e que contou com a participação de muita gente oriunda das 60 cidades dos estados e de diversas capitais, conforme comprovações feitas, pelas chapas de carros que estavam nesta cidade na data da competição.
A corrida teve início e fim, no centro da cidade, à frente da “Tabacaria Tupã”, de propriedade do desportista Justo Moretti, onde hoje se encontra o Banco de Crédito Nacional (Rua São José, esquina com a Praça Sete de Setembro). A corrida ganhou a Avenida Independência, onde estavam as arquibancadas e a Tribuna de Honra, atingindo a Escola de Agronomia e voltando ao centro da cidade.
Chico Landi liderou a corrida durante as 25 voltas. Amaral Júnior manteve-se em segundo lugar da 1ª a 17ª volta e, finalmente, Oldemar Ramos superou Amaral Júnior na 18ª volta, até o final, deixando o volante de Bauru em terceiro lugar."





Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana   
Pesquisa realizada no acervo Rocha Netto.