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terça-feira, 14 de junho de 2016

Boaventura e Unimep pela Democracia


Os anos 80 representaram um período de mudanças políticas no país, sendo assim, Piracicaba não ficou de fora destes debates e movimentações.

Após Abril de 1984 (mês das Diretas), havia uma grande movimentação dos partidos, e os nomes dos possíveis candidatos à presidência começavam a surgir. Havia um debate frequente sobre a eminente mudança no cenário político, que prenunciava o fim do regime militar, iniciado em 1964, marcado por corrupção e pelo endividamento do país com o capital estrangeiro.

Em Piracicaba, uma das instituições que mais representou a luta pela democracia foi a UNIMEP, representada pelo seu reitor Elias Boaventura, que deu apoio a diversas atividades como congressos da UNE e manifestações pelas Diretas. Somente em 1984 foram diversas as atividades realizadas na Universidade, entre elas as palestras de Luís Carlos Prestes, fundador do PCB e de Frei Betto, um dos maiores representantes da teologia da libertação no país.

Em 28 de agosto de 1984 foi publicada no jornal “O Diário” uma carta do reitor Elias Boaventura, que foi endereçada através de telex ao então ministro do exército General Walter Pires, em resposta a uma “ordem do dia” do General, que segundo Boaventura tinha caráter “radical e ameaçador”.

Nesta carta fica evidenciada a relação de Elias em favor da democracia e pela defesa daqueles que optaram pelo rompimento com o governo em atividade, que, segundo Elias, tantos males tinha causado à nação.

Segue o artigo na integra:



Adriano Zaulkauskas, aluno do oitavo semestre do curso de História da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo O Diário.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Jorge Amado: Vida de Luis Carlos Prestes “O cavaleiro da esperança”




Escrito em Buenos Aires, de dezembro de 1941 a janeiro de 1942, o livro de Jorge Amado “Vida de Luis Carlos Prestes, o Cavaleiro da esperança”, é considerado uma de suas grandes obras. Expoente de sua luta pela anistia, pela democracia, contra o Estado Novo e principalmente contra o fascismo, tal obra é calcada por um discurso político em favor da liberdade de Prestes, considerado pelo autor como a maior vítima do Estado Novo.
Os exemplares da obra que chegaram ao Brasil circulavam de forma clandestina, chegavam sempre de acordo com as palavras do próprio Jorge Amado “de mão em mão”. Leitores ansiosos pelo livro usavam códigos para designá-lo dentre eles: “Vida de São Luis”, “Travessuras de Luisinho” entre outros, Amado afirma que havia até pessoas que viveram do aluguel de exemplares.



Acreditando na democratização do Brasil, Jorge Amado ressalta a importância da unidade nacional, em um momento de eleições presidencialistas, destaca a luta por “eleições livres e honestas, luta pela completa pacificação da família brasileira, por programas concretos que vejam a realidade do país, e as necessidades do seu povo”.
Luis Carlos Prestes foi chamado de Cavaleiro da Esperança pelo povo, se tornou símbolo de luta e resistência por um país melhor e mais justo. Os leitores da obra são convidados pelo autor a mergulharem na trajetória de vida de Prestes de forma profunda, e a sentirem o quão “amado” ele era por Jorge Amado, usando as palavras do autor “Falo dele com admiração, com entusiasmo e com fé. Não falaria sobre ele se não o amasse, não confiasse nele. Falo dele como um escritor do povo sobre um condutor do povo. Com liberdade e com amor”.



No tocante da obra, é possível observar a biografia de Prestes transformada em arma em favor da anistia e da democracia. Jorge Amado se preocupa em destacar os elementos políticos que fizeram parte da transformação histórica político-social do Brasil, afim de que o povo saiba da verdade e da importância da vida heróica de Luis Carlos Prestes. 




Silvana Meirielle Cardoso, aluna do sexto semestre do curso de História da Unimep.

Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.