Espaço MEMÓRIA PIRACICABANA

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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Ruas do Rio de Janeiro


Dentro do acervo de João Chiarini, encontra-se a obra História das ruas do Rio de Janeiro, de Brasil Gerson, clássica obra da academia histórica. A fácil escrita que o autor utiliza facilita a leitura, pois é uma obra escrita por uma pessoa que é historiador, teatrólogo, escritor, jornalista, crítico e roteirista de cinema, e só pode ter como resultado uma escrita dinâmica. Gerson recorta pequenos trechos e de forma envolvente, te capta a devorá-lo. 
Segue um pequeno trecho que fala sobre a famosa Rua do Ouvidor para melhor explicação:

“A substituição de seus 19 lampeões de azeite por bicos de gás foi proposta, pela primeira vez, em 1832, por dois ingleses, Grece e Glegg, impostores ou feiticeiros na opinião de muita gente respeitável, menos de Mauá, que em 1854 inaugurava na cidade a Companhia de Gás, para a iluminação de suas ruas centrais – na do Ouvidor em primeiro lugar.”



André Bellaz, aluno do 6º semestre do curso de História da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

A Cultura Oral Presente No Lundu


O Espaço Memória Piracicabana, como já citado, abriga o acervo de João Chiarini, onde estão armazenados diversos materiais sobre folclore nacional e internacional. Vasculhando esse enorme acervo, encontrei um antigo Lundu, uma espécie de cantiga que foi enviada, por Francisco Oliveira Filho, com uma carta à Chiarini em 28/07/1976 para que ele pudesse “observar a influência do antigo escravo africano para alguma de suas pesquisas sobre o folclore nacional”.
“Lundu de Pai João”, provavelmente composto no século XIX, após 1837 (pela menção à Casa de Correção), já contém uma crítica à sociedade branca escravagista. Logo abaixo temos alguns trechos da cantiga onde podemos ver o personagem relatando situações de seu cotidiano enquanto escravo:


I
QUANDO IÔ TAVA NA MINHA TERA
IÔ CHAMAVA CAPITÃO,
CHEGA NA TERRA DIM BARANCO,
IÔ ME CHAMA – PAI JOÃO.
 (...)
V
BARANCO – DIZE QUANDO MÔRE
JEZUCRISSO QUE LEVOU,
E O PRETINHO QUANDO MÔRE
FOI CACHAXA QUE MATOU.
(...)
VIII
NOSSO PRETO FRUTA GARINHA
FRUTA SACO DE FEIJÃO
SINHÔ BARANCO QUANDO FRUTA
FRUTA PRATA E PATACÃO.
IX
NOSSO PRETO QUANDO FRUTA,
VAI PARÁ NA CORREÇÃO
SINHÔ BARANCO QUANDO FRUTA,
LOGO SAI SINHÔ BARÃO.


Pai João representa a figura central de um ciclo de histórias, contos e Lundus, coletados por folcloristas a partir do século XIX. O surgimento desse ciclo de tradições orais dessa figura nesse período da história brasileira se dá de um lado no contexto das lutas abolicionistas e dos debates da questão racial postos pela Abolição da Escravidão e, de outro lado, pela inauguração dos estudos folclóricos no Brasil, que se ocuparam em catalogar parte dessa cultura oral, como os Lundus, contos e cantigas de roda.
O personagem de Pai João em suas cantigas assume por vezes o perfil do escravo africano sofredor, submisso e resignado, frequentemente ingênuo e cheio de bondade, fiel ao seu senhor. Em outras ele encarna o escravo preguiçoso e lerdo, outras, ele é o escravo atrevido, esperto e vingativo.


Todo esse material pode ser consultado na íntegra aqui no Espaço Memória Piracicabana.
Natália Severino, aluna do quinto semestre do curso de História da UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

São Paulo antiga


O livro “História e Tradições da cidade de São Paulo”, que faz parte do acervo de Chiarini, é muito interessante. O livro conta o cotidiano de São Paulo do final do século XIX e início do XX. O que mais chama atenção são as fotos de cidade contidas no livro.




Uma parte do livro é dedicada a explicar como os paulistanos passavam os momentos de lazer na cidade:

“No começo do século XX logradouro que se tornou ponto de recreio da maioria da  população foi o jardim do Museu do Ipiranga. Ali se reuniam permanentemente todas as barracas, que nas cidades italianas, por ocasião do carnaval, se espalhavam por várias ruas e praças. Toda São Paulo o frequenta nos domingos, caleches, em bondes, a pé, invadindo os cafés,  os jogos, os teatrinhos(...)”.



“(...) O passeio predileto do povo paulistano nos domingos era uma corrida de bonde do largo da Sé ao jardim e ao Museu do Ipiranga. Os circos, em fins do século XIX e começo do XX, mantiveram também o seu prestígio como diversão popular. Às vezes de certo apresentando números de sensação como o do “professor mágico” inglês Savior Boonex, multado em 1874 por um fiscal da Câmara por ter em sua casa, contrariando disposições da municipalidade, três leitões “que eram objeto do trabalho de sua profissão”.”



Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.