Espaço MEMÓRIA PIRACICABANA

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segunda-feira, 24 de junho de 2019

Edição histórica da Revista Manchete


O acervo Rocha Netto tem muitas variedades de revistas esportivas e de cultura, como a Revista Manchete. No dia 21 de abril de 1960 a revista anunciava na capa


O dia foi marcado pela entrega do símbolo da nova sede do governo e capital do Brasil para Juscelino Kubitschek. As comemorações também tiveram apresentação de esquadrilha da fumaça e diplomatas de diversos lugares do mundo



Brasília teve como arquiteto responsável Oscar Niemeyer, projetando o Planalto, O Congresso Nacional, a Catedral de Brasília.


No meio da revista a gente pode observar as propagandas de venda de lotes de terra ao redor da nova capital, ainda não muito povoada


Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.
Pesquisa realizada no acervo Rocha Netto.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Nocaute quase fatal


A revista Manchete da década de 1960 narrou um trágico acidente que mudou o ruma da história do pugilista Fernando Barreto da categoria dos pesos-médios.
Como mostrou a reportagem de Durval Ferreira, com fotos de Felício Safadi, o combate de Fernando Barreto contra o argentino Jorge Fernandez termina de forma trágica. Ao ser disputado o sétimo round, após Fernandez ter desferido com sucesso dois socos de esquerda e encaixado um cruzado de direita, Fernando Barreto é nocauteado e não se levanta.

O campeão sul-americano de 31 anos (lutou 78 vezes, das quais venceu 72 e destas, 52 por nocaute) havia entrado em coma. Fora do ringue, foi então levado para o Hospital da Beneficência Portuguesa e submetido à uma cirurgia para a retirada de um coágulo do cérebro.

O médico Dr. Américo Augusto Isaías, um dos operantes e presidente da Federação Paulista de Pugilismo, comentou o caso. Américo disse que os golpes de Jorge Fernandez não teriam causado o derrame, mas sim, ao cair, pois Fernando Barreto teria batido com a cabeça no estrado do ringue. Explicou também que a cirurgia havia sido bem executada e colocou esperanças no restabelecimento do nocauteado, mas que os dias como lutador de boxe haviam chegado ao fim para Barreto.


André Bellaz, aluno do sexto semestre do curso de História da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo Rocha Netto.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Piracicaba dos anos 60

Tudo mudou na década de 60. O homem chegou à Lua, o Brasil sofreu um golpe e entrou em um Regime Militar, o mundo conhecia os Beatles, a pílula anticoncepcional surgia e aumentava-se o número de passeatas e protestos em favor de minorias. A década de 60 foi um período de grandes mudanças para o mundo todo e aqui no interior paulista isso ressoava juntamente com o progressismo que a década trazia.

Conhecida como a “Cidade das Avenidas”, Piracicaba passou por um dos períodos mais revolucionários urbanisticamente de sua história, com uma taxa de urbanização de 92,3% e a construção de grandes avenidas como a Saldanha Marinho, Carlos Botelho e Armando Salles de Oliveira, esta última sendo construída em cima do córrego Itapeva, um grande marco da engenharia na época. O prefeito em gestão, Luciano Guidotti, exibia com orgulho os títulos de “Cidade Mais Progressista do Brasil”, eleita por três anos consecutivos pelo governo de Juscelino Kubitschek. Ainda na gestão de Luciano Guidotti, foi inaugurado o tão esperado Estádio Municipal, uma nova casa para o time de coração da cidade, o XV de Novembro de Piracicaba. O preço do progresso também chegou. Nascia a primeira favela, a do Algodoal, em 1961.

A cidade estava se preocupando mais com o lazer e a cultura, aumentando o número de festivais de artes, música e artes cênicas. O Teatro Municipal (atual e desativado Dr. Losso Netto) foi finalmente criado, uma “casa de arte” prometida por Luciano Guidotti após longa espera depois que o Teatro Santo Estevam foi demolido. Porém o prédio foi entregue apenas 9 anos depois, em 1978.


Foi também na década de 60 que houve a trágica queda do Comurba, ou Edifício Luiz de Queiroz, um grande e cobiçado prédio que ficava no centro da cidade, chamado em um anúncio de 1960 no Jornal de Piracicaba de “o mais atraente Shopping Center de Piracicaba”. O desabamento foi em 1964, porém se entendeu numa novela que durou mais de uma década, até a retirada dos últimos escombros, que ficava na Praça José Bonifácio.


 Neste mesmo prédio funcionava o Cine Plaza, que foi completamente destruído enquanto se preparava para a sessão das 14h. No entanto, os piracicabanos não ficaram sem essa opção de divertimento, pois a cidade ainda possuía mais de três mil poltronas distribuídas entre cinco cinemas, atraindo principalmente os jovens que viveram nos “Anos Rebeldes”, desfilando suas minissaias e ouvindo muito Rock’n Roll. 


As crianças tinham como opção os parques infantis, com “playground completo, repleto de gangorras, balanços, tanques de areia, quadrados para trepar [...] e até piscina”. Haviam 12 desses espaços na cidade e com planejamento de construção de mais 24 parques em bairros mais afastados e na zona rural.



O famoso Parque do Mirante, os restaurantes campestres e a pescaria eram as principais atrações da cidade. Nesta década também foram criados duas boates ou “Restaurantes Dançantes” de acordo com a Folha de Piracicaba.

O edifício Trinity era demolido da noite para o dia para a construção do prédio Centenário (atual Colégio Piracicabano), com a intenção de fazer a implantação dos cursos superiores no Instituto Educacional Piracicabano, que na década seguinte daria origem à Universidade Metodista de Piracicaba. 


No Bicentenário da cidade, em 1º de agosto de 1967, foi publicado os seguintes números no Diário Oficial do município: “Piracicaba possui 7 hotéis, 5 cinemas, 2 clubes de campo, 3 rádios emissoras, 4 jornais diários, 5 clubes recreativos, 2 museus, 29 associações esportivas e recreativas, 4 associações de pesquisas científicas, 1 Centro de Folclore, 1 Associação de Cultura Artística, 20 agências bancárias e 502 estabelecimentos industriais”.



Fontes consultadas:
Site A Província
Acervo Jornal de Piracicaba (disponível no Espaço Memória)
Acervo Gazeta Esportiva (disponível no Espaço Memória)
Acervo Folha de Piracicaba (disponível no Espaço Memória)


Thaís Passos da Cruz, estudante do curso de Jornalismo da UNIMEP. 
Pesquisa realizada no acervo do jornal O Diário.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Construção do Barão de Serra Negra, o esperado centro esportivo que Piracicaba almejava

Sem dúvida um dos momentos mais marcantes que Piracicaba viveu nesses 250 anos foi a construção de um estádio à altura das suas tradições esportivas. O Barão de Serra Negra, como é chamado, esteve há muito tempo nos sonhos dos desportistas piracicabanos, pois não conta somente com um campo de futebol, mas principalmente porque traz melhores possibilidades para o atletismo, natação e outras modalidades esportivas para a região.

No acervo do jornal piracicabano O Diário, podemos descobrir um pouco mais do desenvolvimento dessa conquista para a cidade na época, por volta da década de 50 e 60. 

Foram 12 anos de espera pelo estádio desde quando foi assinado em 1953, pelo então prefeito da cidade Dr. Samuel de Castro Neves. A lei nº368 que autorizava “a desincorporação da classe dos bens comum do povo e transferência para a dos patrimoniais do Município, da área de terreno que constitui a Praça Barão de Serra Negra”. 

Estava também designado que naquela área de 48.767,53 metros quadrados deveria ser construído o futuro Estádio Municipal.


Só que a construção do tão aguardado estádio só foi iniciada em 1961, após lei assinada pelo prefeito Francisco Salgot Castilon no final do ano de 1960, autorizando a construção do centro esportivo. Foi aberto um crédito de cinquenta milhões de cruzeiros para atender as despesas da construção.

O jornal O Diário publicou a primeira notícia sobre a construção do estádio, após a assinatura da lei acima, no dia 27 de novembro de 1960 com a foto da maquete do Estádio Municipal, que estava exposta na Prefeitura Municipal. Segundo o jornal, “a parte destinada a futebol comportará 45 mil pessoas”, mostrando que houve uma grande mudança até o resultado final, visto que a capacidade foi reduzida para bem menos da metade, pois ele foi inicialmente na sua inauguração, capaz de comportar 26.528 torcedores, mas devido às restrições legais, teve sua capacidade limitada para 18.799 pessoas, alguns anos depois.


A inauguração do estádio, que ainda estava inacabado, ocorreu quatro anos depois, no dia 4 de setembro de 1965, com o jogo de XV de Piracicaba e Palmeiras, no qual terminou sem balançar as redes. De acordo com o jornal, 10.400 pessoas presenciaram o empate e a renda somou 19 milhões de cruzeiros. Além disso, o time ainda recebeu 100 mil cruzeiros do presidente do time José Luiz Guidotti pelo empate-vitória, conforme publicado no jornal, “a fim de premiar a boa disposição, a garra e a fibra dos quinzistas”, que jogaram com apenas 10 jogadores na partida.
Além do jogo, fazendo parte das solenidades da inauguração do Estádio Municipal, o público assistiu a apresentação de uma banda marcial e de uma escola de samba, houve também a tradicional volta inaugural realizada pelo prefeito da época Luciano Guidotti e sua comitiva. A edição do jornal O Diário do dia seguinte trouxe um balanço do jogo, do estádio e um texto do jornalista Rocha Netto.


Quase dois meses e meio após a inauguração, através da lei nº1365 publicada no dia 18 de novembro, foi dado nome ao Estádio Municipal: “Barão de Serra Negra”. O nome é uma homenagem ao comerciante e agricultor de espírito empreendedor que futuramente se tornou dono de diversas fazendas no interior e um dos homens mais ricos do estado de São Paulo.



Thaís Passos da Cruz, aluna do 5º semestre de Jornalismo da UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo O Diário.






sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O pouso da gloriosa Ada Rogato


Foi na tarde de 9 de junho de 1960, que a aviadora Ada Rogato (1920-1986), considerada “uma das glórias da aviação civil”, segundo o jornal ‘Diário de Piracicaba’, pousou no aeroporto municipal ‘Pedro Morganti’, em Piracicaba (SP).



Com seu ‘Cessna’ de 90HP, Ada concluiu seu arrojado feito, percorrendo aproximadamente 12.700 quilômetros. Sobrevoou em três meses: São Paulo, Florianópolis, Porto Alegre, Pelotas, Montevídeo, Buenos Aires, Baía Blanca, Patagones, Deseado, Trelew, Comodoro, Rivadaria, Rio Grande e Eshuaia.



Em seu retorno passou por Rio Grande, Rio Gallegos, Comodoro, Rivadaria, Trelew, São Carlos de Bariloche, Puerto Montt, Concepción, Santiago, Mendoza, Cordoba, Buenos Aires, Resistência, Assúnción, Foz do Iguaçú, São Vicente, São Paulo e aterrissou no mesmo local da partida, Piracicaba.

Recebida pela primeira-dama, Ladice Salgott Castillon, que lhe entregou flores em nome de todas as mulheres piracicabanas. Entrevistada por duas rádios locais, a aviadora disse estar satisfeita em regressar a Piracicaba, de onde, como afirma o ‘Diário’, “partiu para colher mais glória para a história da aviação civil brasileira”.

Logo após as solenidades, coquetéis e almoço foram servidos nas dependências do aeroporto e na mansão da usina Monte Alegre, reunindo Ada, empresários e autoridades.

Pioneira
Além de aviadora, Ada Rogato era campeã de paraquedismo. Contava até a época (1960), 105 saltos comandados. Possuía prêmios e condecorações nacionais e internacionais. Destaque também por ser a primeira mulher piloto de um planador.



Férias do CCMW
O Blog Acervos Históricos informa aos leitores, que a partir de 22 de dezembro o Centro Cultural Martha Watts e o Espaço Memória Piracicabana encerram as atividades temporariamente. A pausa é devida manutenção interna: organização e conservação de seus acervos para permitir sempre o melhor atendimento aos visitantes e pesquisadores. O CCMW reabre em fevereiro. No entanto, o blog continuará com posts mostrando todo o processo de manutenção do museu.



Reinaldo Diniz é aluno do quarto semestre do curso de jornalismo da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo do jornal “Diário de Piracicaba”.