Espaço MEMÓRIA PIRACICABANA

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segunda-feira, 15 de julho de 2019

Nome ou brincadeira?


No dia 10 de janeiro de 1945, foi publicado no jornal “Diário de Piracicaba” uma orientação aos pais e aos tabeliães quanto aos nomes escolhidos para o registro das crianças e afirma a grande responsabilidade deste ato. Na matéria, de Silvio A. de Souza, nos conta a história de um pai que insistiu em nomear seu filhinho de Cretino:
“Um cunhado meu, juramentado, tem feito malabarismos para evitar dislates* de tal natureza; para justificar o que alego, é bastante dizer que um pai queria, a toda “fôrça”, colocar no inocente filhinho o nome de Cretino.”.

O autor também critica a adesão de nomes compridos para as crianças, observando, em contraponto, o nome de um aluno que se chamava Og Sá. De acordo com ele, nome simples e incisivo. Além da quantidade, o uso de nomes de homens famosos, como Benjamin Constant, Rui Barbosa da Silva e etc., era desencorajado por Silvio, já que muitas vezes não condizia com a personalidade da criança que o tinha, comparando isto a “bebidas falsificadas”, ou seja, de excelentes rótulos, mas de sabor duvidoso.
Por fim, o autor brinca com o desprestígio de nomes nacionais e diz que em outra vida, gostaria de ter um nome estrangeiro para mais sucesso:

“Também os nomes nacionais estão muito desprestigiados; e, quanto a mim, quereria voltar em outra oportunidade, aqui mesmo, para o grande S. Paulo, com um nome estrangeiro, bem estrangeiro, para mais sucesso e melhor sorte...”. 


*Dislates significa besteira, bobagem.


Nathália Cristina da Silva, aluna do 6º semestre de História na Unimep.
Pesquisa realizada no acervo O Diário.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Cururu, o combate poético


“O cururu é disputa, combate poético”, com essa frase João Chiarini começava seu texto publicado na Revista do Arquivo Municipal, de 1947. Chiarini começa contando os antecedentes do cururu:



“É universalista. Na coroação dos poetas helênicos fazia-se a eleição do mais talentoso repentista da cidade. Depois há improvisação na Sicília, Espanha. ‘São em geral, os motivos desses cantos, oriundos dos árabes, adotados pelos provençais, muitos cultivados em Portugal e extraordinariamente difundidos no Brasil.’ E é na Idade Média que ele se avantaja pelo país luso. Aqui se chama recuesta. O “self-repeating-process” patenteia a vinda duma tradição da antiguidade até o meio rural brasileiro. De lá é que vem para a América pelas mãos dos elementos primários lusos, pelos portugueses católicos, que o ensinaram aos homens do Brasil.”

Ao longo do texto, o folclorista também explica a origem, a tradição lingüística, as pessoas e os costumes que fazem parte do cururu. Para ele, cururu é instintivo.

“O cururu é música popular. E a música popular acompanha a ideia de trabalho. A vida que esta cada vez mais apertada é lembrada nas toadas. As tragédias domésticas também o são. E perfeitamente bem, porque o cururu não são refrãos onomatopaicos, exclamativos ou monossilábicos. É por isso que os cantadores lembram das leis sociais vigentes, que reconhecem e amparam os direitos do operariado. Os seus versos significam um estado de espírito que exprime a origem histórico-social dessa coletividade.”

No acervo de Chiarini também tem dezenas de fotografias do Cururu:

 


 

 Para ver as fotos e o  artigo na íntegra é só visitar o Centro Cultural Martha Watts, todo o acervo é disponível para pesquisa.

 Neste Link dá para ver um documentário muito interessante sobre cururu.

 

Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana

Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.