Espaço MEMÓRIA PIRACICABANA

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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Julião, Nordeste, Revolução: A luta pela Reforma Agrária em Pernambuco

O livro da jornalista e socióloga Lêda Barreto “Julião-Nordeste-Revolução” faz parte do acervo João Chiarini e conta a história de Francisco Julião, um  advogado militante das ligas camponesas do agreste Pernambucano. Lutou incansavelmente ao longo de toda sua vida junto à SAPPP (Sociedade Agrícola e Pecuária dos Plantadores de Pernambuco) e pela Reforma Agrária na região.

“Julião não é um político que descobriu a massa camponesa para marchar com ela – ele é a própria voz dessa população rural que atinge os 40 milhões, mais da metade do total demográfico do Brasil. Nascido no campo, conhecendo de perto as angústias dessa massa abandonada, Julião foi procurado como advogado pelos camponeses da primeira Liga para defender-lhes os interesses numa questão de terra.”

No livro, Julião fala sobre ser marxista e respeitar a mística do campesinato brasileiro:

“Sou um radical mas não sou um sectário, declara Julião a esta repórter. O radicalismo não é uma limitação. Por isso respeito o misticismo camponês. O brasileiro de um modo geral e especialmente o camponês é, antes de tudo, um místico. Quero explicar porque na verdade tenho o maior respeito a este traço da personalidade do brasileiro, apesar de ser marxista. Libertei-me do misticismo mas não vou impor ao povo meu materialismo. Devemos aceitar o povo como êle é. Levo às massas uma mensagem que até hoje não lhes fôra levada e chego a elas através dos instrumentos que já estão sedimentados na sua consciência. Assim é que a figura do Cristo, com o seu conteúdo místico, não fica diminuída por uma análise puramente humana. Vejo o Cristo, abstraindo-me do aspecto divino, como o homem que libertou o seu povo da opressão romana, utilizando processos revolucionários para o seu tempo. Foi um verdadeiro rebelde contra os poderosos. Onde foi buscar os seus apóstolos? Entre os mais humildes, os pescadores principalmente.”

O livro também traça um panorama econômico, político e social do Nordeste brasileiro do período (década de 1960).

Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.

Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Os camponeses do Brasil


O periódico “Movimento” foi um jornal de esquerda que circulou no período final do regime militar no Brasil. O jornal focava suas publicações em questões sociais relacionadas à luta de classes e a política do período.

Na edição nº304, referente a semana de 27 de abril a 03 de março de 1981, o jornal destacou uma matéria sobre a situação do camponês brasileiro. Dedicando ao tema cinco páginas com diversos artigos, com o título principal de “Os camponeses do Brasil”.

O periódico relata nestas páginas as diversas dificuldades enfrentadas pelos pequenos camponeses, que neste período passaram a sofrer pressão por parte dos grandes latifundiários. Sem um apoio suficiente do governo, muitos tiveram que vender suas terras e migrar para a cidade. Como as cidades não estavam preparadas para receber este grande número de migrantes, foi gerado um imenso número de desempregados.

Em um dos trechos de um dos artigos referentes ao tema, é abordada a história de um senhor chamado Menandro, que representa a realidade do pequeno camponês.

Diversos artigos compõem esta matéria, além dos artigos muitas tabelas apresentavam em números a situação do campesinato brasileiro com dados oficiais.


Um dos artigos em destaque intitulado “Terra ou salário” pode ser conferido na integra abaixo:





Adriano Zaulkauskas, aluno do 8° semestre do curso de História da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo O Movimento.