Espaço MEMÓRIA PIRACICABANA

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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Foice, faca e espeto: agressão entre vizinhas

No ano de 1922 chegou ao juízo de direito da Comarca de Piracicaba a denúncia de agressão entre vizinhas, processo que hoje compõe o acervo fórum. Na tarde do dia quatro de setembro, por volta das 15 horas de uma segunda-feira, Sebastiana Maria José de 40 anos, solteira, tendo por profissão serviços domésticos sem instrução escolar, armada com uma foice de mão, golpeou a cabeça de sua vizinha Angela Victoria Dias. Segundo testemunhas, já era antiga a desavença entre as duas mulheres.

Angela teria ido até a casa de Sebastiana armada com um espeto e teria forçado a porta. Uma vizinha notou a movimentação e avisou Sebastiana que Angela havia tentado entrar em sua casa e chamam a polícia. Nesse mesmo dia, Angela derruba então um muro provisório entre sua casa e a de Sebastiana e, ao entrar no quintal, avança em sua vizinha ameaçando-a com uma faca. Para se defender, Sebastiana pega uma foice e acerta a cabeça de Angela, causando um ferimento de três centímetros na região temporal.

A promotoria pública de Piracicaba abriu uma denúncia contra Sebastiana Maria José em dezembro do mesmo ano. A sua defesa então pediu absolvição, a partir da lei vigente na época, “tendo em consideração também que Angela Victoria Dias é uma mulher dada ao vício da embriaguez e rixosa por instincta, ao passo que a denunciada é uma mulher bem-quista de todos os vizinhos, pelo seu bom comportamento e bons costumes”.

No dia 22 de Janeiro de 1923 o Juiz de Direito Rafael Marques Cantinho declarou encerrado o caso: “De acordo, portanto, com os fundamentos produzidos pela denunciada em defesa [...] pela absolvição de Sebastiana Maria José pelo dirimente do Art. 32§2° do código penal”.  



Maycon Costa, aluno do quarto semestre do curso de História UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo do Fórum.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

João Chiarini agredido


Você deve conhecer ou já deve ter ouvido falar em João Chiarini. Político, jornalista e folclorista de Piracicaba e seu acervo, hoje, pertencente ao Centro Cultural Martha Watts. Porém o artigo de hoje não abordará nenhum documento de seu acervo, mas sim um processo criminal no acervo do Fórum envolvendo este ilustre piracicabano, no período com 23 anos.

Era 8 de abril de 1943, João Chiarini procurou a delegacia para registrar queixa de agressão contra o senhor Antidio de Almeida.

No dia anterior, Chiarini estava trabalhando na organização de um festival de violão realizado no (hoje extinto) clube Santo Estevão. No meio do festival foi abordado pelo senhor Antidio, funcionário municipal responsável pela cobrança de taxas referentes a direitos autorais.  Após uma breve discussão no hall de entrada, pois o folclorista não aceitava o valor das taxas, Chiarini voltou aos afazeres da organização e o funcionário ficou conversando com outras pessoas no local.
Horas depois, ambos se encontraram na sala do caixa do teatro, segundo Chiarini, após uma discussão foi lhe desferido um soco, no qual acabou resultando na quebra de seus óculos. Antidio negou em depoimento a agressão, dizendo que Chiarini havia se assustado com um movimento que fez, caindo em cima dos óculos e batendo a cabeça em uma viga.
O processo possui depoimentos dos dois envolvidos e de quatro testemunhas, que não viram a agressão. Por este motivo, Antidio foi considerado inocente da acusação. Abaixo, segue imagens da conclusão do processo.





Adriano Zaulkauskas, aluno do oitavo semestre do curso de História da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo Fórum.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Violência no futebol da Noiva da Colina

Durante toda história do Futebol podemos ver o fanatismo futebolístico gerando verdadeiras guerras entre torcidas adversárias como, por exemplo, na Inglaterra com os Hooligans que, durante vários anos, agiam nos jogos e fora deles com grande violência e no Brasil, com as torcidas organizadas das grandes capitais. No interior do Estado de São Paulo isso não foi diferente. Essas brigas aconteciam até mesmo entre times de uma mesma cidade como vemos no processo abaixo.


No dia 9 de Julho de 1923, em Piracicaba, o Cartório da cidade recebeu uma denúncia envolvendo agressão no Campo da Sociedade Esportiva XV de Novembro durante um jogo de futebol. O agressor, Christovam, atacou a vítima, Epitácio, com duas facadas pelas costas, durante uma briga entre as equipes participantes do jogo.
            O jogo havia ocorrido na tarde do dia 27 de maio de 1923, entre o Clube de Estudantes da Escola Agrícola Luiz de Queiróz e um Clube amador da Vila Rezende. No meio da partida ocorreu uma discussão entre os jogadores, os assistentes e os espectadores dos dois times. As pessoas presentes invadiram o campo discutindo e agredindo com socos e pontapés que foram distribuídos dos dois lados. No entanto, Christovam, que estava na arquibancada observando este momento de confusão, invadiu o campo e atacou covardemente pelas costas o estudante Epitácio com golpes de faca, produzindo nele ferimentos leves. Os jogadores que presenciavam a cena entre Christovam e Epitácio foram apartar a briga, prendendo o agressor em flagrante.
O réu foi incluso nas penas do artigo 303 do Código Penal vigente na época, porém, depois de um longo processo, Christovam foi absolvido das acusações com um julgamento que teve decisão unanime pela liberdade do acusado. Essas e outras histórias podem ser encontradas aqui no acervo do Fórum, com processos que datam de 1801 até 1946.


Tiago Favaris, aluno do quinto semestre de Sistemas de Informação da Unimep.

Pesquisa realizada no acervo do Fórum.