Espaço MEMÓRIA PIRACICABANA

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segunda-feira, 23 de maio de 2016

João Chiarini agredido


Você deve conhecer ou já deve ter ouvido falar em João Chiarini. Político, jornalista e folclorista de Piracicaba e seu acervo, hoje, pertencente ao Centro Cultural Martha Watts. Porém o artigo de hoje não abordará nenhum documento de seu acervo, mas sim um processo criminal no acervo do Fórum envolvendo este ilustre piracicabano, no período com 23 anos.

Era 8 de abril de 1943, João Chiarini procurou a delegacia para registrar queixa de agressão contra o senhor Antidio de Almeida.

No dia anterior, Chiarini estava trabalhando na organização de um festival de violão realizado no (hoje extinto) clube Santo Estevão. No meio do festival foi abordado pelo senhor Antidio, funcionário municipal responsável pela cobrança de taxas referentes a direitos autorais.  Após uma breve discussão no hall de entrada, pois o folclorista não aceitava o valor das taxas, Chiarini voltou aos afazeres da organização e o funcionário ficou conversando com outras pessoas no local.
Horas depois, ambos se encontraram na sala do caixa do teatro, segundo Chiarini, após uma discussão foi lhe desferido um soco, no qual acabou resultando na quebra de seus óculos. Antidio negou em depoimento a agressão, dizendo que Chiarini havia se assustado com um movimento que fez, caindo em cima dos óculos e batendo a cabeça em uma viga.
O processo possui depoimentos dos dois envolvidos e de quatro testemunhas, que não viram a agressão. Por este motivo, Antidio foi considerado inocente da acusação. Abaixo, segue imagens da conclusão do processo.





Adriano Zaulkauskas, aluno do oitavo semestre do curso de História da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo Fórum.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Meninice: livro do acervo de João Chiarini


 “Meninice” é um livro de 96 páginas que possuiu 44 pequenas histórias escritas por Luís Gonzaga Fleury. Esse, entre outros livros, pertence ao acervo do João Chiarini, do Espaço Memória Piracicabana.

"A ‘Aroeira e a laranjeira’ é um dos contos encontrados no livro que me chamou bastante a atenção:
 Á margem de uma estrada, cresciam, lado a lado, duas árvores: uma aroeira e uma laranjeira.
Quando a laranjeira estava carregada, os garotos vadios atiravam-lhe pedras e malhavam-na com vara para derrubar as laranjas.
A pobre árvore, ao fim de poucos dias, ficava com galhos quebrados e quase desfolhada.
Vendo-a nesse estado, disse-lhe, orgulhosa, a aroeira:
- Você é uma infeliz! Não é respeitada como eu.
-É verdade, respondeu a laranjeira. Mas você deve saber que só se atiram pedras ás árvores que produzem bons frutos. E eu prefiro ser apedrejada, produzindo-os, a ser desprezada por só ter frutos maus." Trecho do conto


No final de alguns contos, o leitor encontra dicas de como desenhar um animal, como por exemplo, um passarinho voando, um coelho e um gato.


Daniela Boaventura, aluna do sexto semestre do curso de Jornalismo da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Revista Mirante


Em 1957 surgia uma nova revista em Piracicaba intitulada de “Mirante”. Ela foi precursora de diversas outras revistas na cidade. Nela os temas eram diversos: futebol, poesia, contos, artes, desfiles de moda, atualidades, acontecimentos cotidianos na cidade, entrevistas com personalidades piracicabanas. 
No acervo João Chiarini temos alguns exemplares dessa revista que, infelizmente, teve pouco tempo de vida (circulou apenas 4 anos).
A revista era mensal e custava 10 cruzeiros.








Pesquisa relizada no acervo João Chiarini.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Hemeroteca Chiarini: Inezita Barroso





“De São Paulo: Era uma noite de estrelas naquela fazenda próxima a Mombuca, no interior de São Paulo. A roda estava formada: os proprietários, as visitas da Capital e os trabalhadores  ali estavam para ouvir a cantora folclórica que fora recolher toadas caipiras para seus programas de rádio e tv.

Outra atração da noitada era um violeiro muito bom que não se cansava de ouvir a “muié cantadera”, que o acompanhava ao violão enquanto ele solava na viola as tiradas de sua autoria. Ao terminarem o dueto, debaixo das palmas dos presentes, o cantador gritou, muito entusiasmado, para os amigos:

‘ Êta muié estorada! Tenho encontrado uns pouco que me acompanha nessas toada, mas ela inté já pode cantá no corêto de Piracicaba!’

Inezita Barroso, a grande cantora folcórica do Brasil, confessa que este foi um dos maiores elogios recebidos em sua carreira artística: toda a sua vida foi dedicada ao estudo de nossa autêntica música popular.” Artigo da revista “Visão” – 17/02/1956


A Hemeroteca Chiarini é composta dos mais diversos temas, focando sempre o folclore e música popular. Artigos sobre Festa do Divino, Cururu, Batuques, festas folclóricas de todo o Brasil. Nesse material encontramos entrevistas e fotos de Inesita Barroso, incluindo um texto escrito pelo próprio Chiarini, da década de 50:

“O caminho de Inezita é amplamente planejado. Indo ao local está sempre armada para oferecer-nos a música e o canto primitivos. E a dança também. Com as suas últimas buscas ao Rio Grande do Sul, em Carapicuiba e Piracicaba, as suas futuras gravações, vídeos e programas de TV oferecer-nos-ão  incontestavelmente material de boa qualidade.”



Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

quinta-feira, 19 de março de 2015

As feiticeiras de Salém

O acervo João Chiarini possui um vasto acervo de revistas. Com uma temática curiosa, uma das coleções que chamam atenção, a revista Homem, Mito e Magia publicada pela editora Três, aborda assuntos como: religião, ocultismo, fatos curiosos da história, etc.

O acervo possui 20 edições desta publicação, datadas de 1973, que segundo a mesma “..é uma obra que mostra todo o fascínio que o sobrenatural  tem exercido sobre o homem, desde suas remotas origens, até os dias de hoje.”

Dentre muitos artigos interessantes sobre o homem e suas relações com o universo do misticismo, podemos citar a revista nº 15, em que, umas das seções denominada de  “Feitiçaria e superstições” relata o caso das “Feiticeiras de Salém”, uma tragédia ocorrida no século XVII na Nova Inglaterra (hoje Estados Unidos).

“A grande caça às feiticeiras de Salém em 1692, é o mais famoso caso desta natureza de que se tem notícia, pelo menos no mundo anglo-americano. Comparado no entanto, aos acontecimentos parecidos, anotados na Europa central, o caso das feiticeiras não assume  extensão muito grande, mas, a par disso, apresenta uma particularidade: terminou tão subitamente como começou.”

Após uma reunião onde uma escrava contava contos sobre magia, e devido a influência de um livro lançado em 1689 sobre feitiçaria, algumas meninas de um vilarejo próximo a Salém tiveram um tipo de histeria coletiva.  A causa, na época, foi diagnosticada como obra de feitiçaria, logo, um tribunal especial para a causa foi montado e teve início uma verdadeira caça as bruxas. Como dito acima, o caso foi breve porém o suficiente para levar mais de 200 pessoas para a cadeia e dezenas para a forca.

Para explicar com mais detalhes, reproduzimos um trecho do artigo:

“Começou no inverno de 1691-92, com um grupo de garotas de 11 a 20 anos de idade. Era um grupo de 8 meninas, que costumavam se reunir perto da casa do sacerdote, com a escrava do religioso, Tituba. A impressão até hoje é de que Tituba se dedicava a encher a imaginação das meninas com histórias e magias da África. Essas reuniões terminaram por causar em Abigail Williams, de 11 anos e em Ann Putnam, de 12, uma espécie de qualquer doença histérica. Abigail, a mais nova, era parente do ministro religioso, Samuel Parris, vivia em sua casa e, por isso, estava mais sujeita à influência de Tituba. As duas garotas rosnavam e rangiam os dentes, aparentemente sem qualquer razão lógica, rolando pelo chão. Por vezes, agiam como se acreditassem estar sendo transformadas em animais. Esses sintomas começaram a se espalhar pelas outras crianças da comunidade. Os adultos, imediatamente, se convenceram de que as crianças tinham sido enfeitiçadas.”

O artigo detalha a história deste caso, do início ao seu desfecho, que teria um saldo final de 34 pessoas executados sob acusação de feitiçaria.  Por fim, a população e seus representantes reconheceram o erro de seus atos como podemos ler a seguir:

“Uma revolta geral eclodiu em todo o país. Em Salém, os magistrados que tinham iniciado os processos admitiam os erros, entre lágrimas e lamentações. Até então ninguém tinha duvidado da existência de bruxaria. Thomas Brattle, um comerciante de Boston, foi o líder do movimento de volta à racionalidade, dali por diante, a América colonial e, mesmo depois, a América livre, nunca mais teve a coragem de condenar alguém por feitiçaria”.




Adriano Zaulkauskas, aluno do sétimo semestre do curso de História da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O dia que nunca será esquecido pelos piracicabanos


Neste ano, uma das maiores tragédias que abalou Piracicaba (SP), completa 50 anos. A queda do Edifício Luiz de Queiroz, conhecido como COMURBA (Companhia de Melhoramentos Urbanísticos), ficará marcada na memória dos piracicabanos.

Foi no dia cinco de novembro de 1964, pouco depois das 13h30, que iniciou o “sentimento desesperador gerado pela perda de muitas vidas e desaparecimento de entes queridos, que traumatizou dezenas de lares e cobriu a tristeza e abatimento a nossa terra ¨(Jornal “O Diário”). O prédio não desabou por inteiro, foram anos para que o restante fosse retirado.

A Santa Casa de Misericórdia da cidade recebeu os feridos, “aos poucos que haviam escapado com vida”. Em 15 dias foram encontrados mais de 45 corpos.

Solidariedade Humana
A população foi certamente elogiada. Já que após a tragédia “numerosíssimas turmas”  de operários, chegaram para a remoção dos escombros, sendo que, como disse o matutino: “No início o foi somente a mão”.

O que dizia o governador?
O então governador do estado de São Paulo, Adhemar de Barros, compareceu em Piracicaba. A fim de observar “in loco” a situação catastrófica.

“Nós não vamos discutir o episódio lamentável. Não vamos lamentar as mortes. Mas vamos chorá-las. Vamos rezar por elas. Mas vamos providenciar de tal maneira que o restante deste prédio não construa ameaças para a população”, declarou o governador.

O edifício ficava localizado, onde atualmente é a Caixa Econômica Federal e Poupatempo Estadual, na Praça José Bonifácio, centro de Piracicaba. No subsolo ficava o Cine Plaza, um dos cinemas da cidade.
Local atual onde ficava o Comurba. Foto: Reinaldo Diniz


Nesse vídeo estão depoimentos de testemunhas e feridos.


Reinaldo Diniz,  estudante do curso de Jornalismo da Unimep
Pesquisa de texto realizada no acervo do jornal O Diário e fotos do acervo João Chiarini.


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Idas e vindas pelas mensagens

Cartas recebidas pelo Folclorista estão guardadas em seu acervo. Ao fundo, João Chiarini. 


“Faço-lhe um bilhete um pouco às pressas (estou abafadíssimo no trabalho do meu livro que tenho de entregá-lo até dezembro encontrando-me extremamente atrasado) para lhe dizer que terei muito prazer de ler o romance de Cecílio Elias Neto sobre o açúcar (...). Um abraço para o romancista e outro para você”.

Estas palavras, de 27 de outubro de 1965, são trechos de uma, das diversas cartas escritas pelo escritor Jorge Amado (1912-2001), ao Professor e Fundador do Centro de Cultura e Folclore de Piracicaba, João Chiarini (1919-1988).
Amigo pessoal de grandes intelectuais, como, Jorge Amado, Lygia Fagundes Telles, Oswald de Andrade, entre tantos outros, Chiarini tem em seu acervo as cartas que trocava com essas pessoas.
Carta de Chiarini para Rocha Netto.


Em seu acervo, destaca-se uma carta enviada em 07 de agosto de 1965, da União Brasileira de Escritores (UBE). Assinada por um dos associados, Wilson Pinto pede desculpas por não “satisfazer o seu agradável pedido”. Chiarini, também folclorista, havia solicitado exemplares de “Mandú e a Deusa Branca”, “As mais belas lendas brasileiras” e “Dicionário mitológico brasileiro”.  
Convites para grandes festividades, também são destaques em seu acervo: 
“Participando dos festejos do 199° aniversário de fundação de Piracicaba, a Câmara Municipal realiza às 20 horas do dia 1º de agosto, uma sessão solene comemorativa, para a qual temos a honra e a satisfação de convidar V.Excia. (...). Contando com a presença atenciosa de V.Excia. à festiva solenidade, antecipando-lhe os agradecimentos e apresentamos-lhes os nossos protestos de elevada estima e consideração”, finaliza Francisco Antonio Coelho, Presidente da Câmara Municipal de Piracicaba.


Primeira edição de "Tieta do Agreste" autografado pelo próprio autor. 

Após 02 de dezembro de 1988 (falecimento do folclorista), a família Chiarini, continuava recebendo mensagens de amigos e Organizações. Uma delas é do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP):

“Exma. Família João Chiarini: O IHGP envia os votos de pesar pelo seu falecimento, reiterando que Piracicaba perde com ele uma de suas forças intelectuais mais expressivas. Às vésperas do Santo Advento, que desejar também muita paz”.  

Cartas, ofícios, revistas, entre outros materiais, estão disponíveis para pesquisa no Espaço Memória Piracicabana.



Reinaldo Diniz, aluno do quarto semestre do curso de Jornalismo da UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.