Espaço MEMÓRIA PIRACICABANA

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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Folclore para crianças


Com a aproximação do mês do folclore, comemorado em agosto, não há acervo que o melhor represente do que o acervo João Chiarini, o fundador do Centro de Folclore de Piracicaba.

Como algumas publicações do blog do Espaço Memória já demonstraram, o acervo tem uma dimensão bastante significativa, com revistas, livros, recortes de jornais, correspondências, o acervo nos traz a cultura folclórica não apenas brasileira, mas de diversos outros países. O acervo possui obras não apenas voltadas para os adultos, mas também para o público infantil. Chiarini colecionou muitos livros ilustrados e de literatura infantil, como a coleção “Estórias e lendas do Brasil”, “Contos do Norte”, “Contos do Sul”, “Contos sertanejos”, “Contos da terra do ouro” e “Contos das selvas”.

Lendas como a do “O curupira”, “O negrinho do pastoreio”, “A caipora”, “O anhangüera” e “A vitória régia”, são apenas alguns dos  contos presentes na coleção.








Tatiane Saglietti, aluna do sexto semestre de História da Unimep.

Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Nhô Quim é retratado em livro e exposição


Ainda em comemoração aos 65 anos da mascote que representa o E.C. XV de Novembro de Piracicaba, o Centro Cultural Martha Watts abre hoje (11), a partir das 19h30, a exposição “As Várias Faces do Nhô Quim”.
A mostra tem como objetivo retratar em diversas formas o famoso caipira de Piracicaba, através de diversos artistas piracicabanos: Eduardo Grosso, Erasmo Spadotto, Érico San Juan, Lucas Leibholz e Edson Rontani Junior.
Destaque também a Cícero Correa dos Santos, conhecido fotógrafo local, que se fantasiava de Nhô Quim nas disputas pela Lei de Acesso em 1967.
Nhô Quim faz parte da cultura piracicabana. Criado em 1949 pelo cartunista e publicitário Edson Rontani, diversos relatos afirmam que a mascote alvinegra surgiu - na época não havia sido ‘batizada’ – do cartunista do jornal “A Gazeta Esportiva”, Nino Borges. Porém, ao blog Acervos Históricos, o jornalista e filho de Rontani, Edson Rontani Junior, explicou que “foi o inverso”.
“De junho a dezembro de 48, meu pai pegava alguns desenhos feitos em cartolina e expunha no Challet Paulista. O Rocha Netto (em que seu acervo encontra-se no Espaço Memória Piracicabana, no Centro Cultural Martha Watts) que era representante da “A Gazeta Esportiva”, pegou um desses cartazes e levou para São Paulo, com a intenção de reaproveitar”, explicou.
Mas na época a qualidade técnica de impressão não era qualificada. Segundo o jornalista, o então editor-responsável do jornal, Thomaz Mazzoni, decidiu mostrar ao Nino Borges, na época ilustrador do matutino, para redesenhar. Então no dia 29 de janeiro de 1949, os traços foram publicados em um veículo de comunicação de grande massa.
“Isso, inclusive em vida, eu consultei o próprio Rocha Netto, ela dizia ‘Aconteceu exatamente isto’. Só que esta história mudou com o tempo. Como não tinha referência, todos diziam que saiu na ‘Gazeta’. Mas na realidade a ‘Gazeta’ é o comprovante de que saiu o Nhô Quim em um grande veículo de comunicação”, apontou Júnior.
Ele diz ainda, que os cartazes que Rontani fez “não estão guardados para a história”. “Então fica essa dúvida: Será que é verdade?”, disse.
O filho do publicitário contou também ao blog, que Rontani começou a desenhar o caipira, quando tinha apenas 15 anos de idade. E que durante seus quase 50 anos de traços, o fez apenas por hobby, sem receber valor monetário. “Saia do trabalho 17h30 (trabalhava na Secretaria da Agricultura), jantava e ia para o ‘espacinho’ dele”, descreveu.
As charges foram expressas em diversos jornais, como, “Jornal de Piracicaba” (1900-atualmente), “Diário de Piracicaba” (1935-1992), “A Gazeta Esportiva” (1947-2001) e “O Governador” (1933-1958).
De acordo com o ocupante da cadeira de número 50 do Conselho Acadêmico do Clube dos Escritores Piracicaba, cujo patrono é seu pai, Edson Junior assegura que o nome “Nhô Quim”, veio do amigo Rocha Netto. Em um livro escrito por Junior, lançado ano passado, cujo relançamento ocorre hoje (ver mais no texto abaixo), é citado uma entrevista de Netto ao Jornal de Piracicaba, vinculada no dia 16 de fevereiro de 2013. “Contei que era típico trocar a palavra senhor, por nhô; naquela época muita gente falava nhô Pedro, nhô Antônio, nhô João; então ele disse: Nhô Quim, como referência ao Senhor Quinze”, explicou à jornalista Adriana Ferezim.


Livro comemorativo é relançado

Além da exposição, o jornalista Edson Rontani Junior, relança hoje, também no Centro Cultural Martha Watts, no mesmo horário, seu o segundo livro, cujo lançamento ocorreu ano passado, durante o 40° Salão Internacional de Humor de Piracicaba. “Nhô Quim – A história que eu conheço”, aborda a história da mascote alvinegra, desde a criação até os dias atuais. Mostra também, suas variações ao longo do tempo, as características, e o conflito sobre quem criou o personagem.
Autor relança livro hoje às 19h30. (Foto: Reinaldo Diniz/CCMW)

“A intenção deste livro não é vangloriar-se de uma criação que se tornou um ícone de uma cidade. Queira ou não, o personagem retratado faz parte do imaginário coletivo de Piracicaba, passada uma década e meia após o falecimento daquele que expôs, por 48 anos, na mídia de Piracicaba sem ganhar um centavo. O que se pretende com estas linhas é dar mérito àqueles que criaram um personagem adorado por várias gerações, mas que o tempo e o avanço tecnológico proporcionaram confusões históricas”, citou o jornalista e também assessor de comunicação.
Charge publicada em 09/01/86, no Jornal de Piracicaba. Acervo Rocha Netto.CCMW/IEP.

Charge publicada em 05/01/1986, no Jornal de Piracicaba. Acervo Rocha Netto.CCMW/IEP.

A publicação têm 120 páginas, e o prefácio é assinado pelo radialista e atual Deputado Estadual, Roberto Morais (PPS), que também se auto intitula “quinzista”. “O Nhô Quim é a alma do Piracicabano. Representa o cidadão puro que viu o desenvolvimento urbano, comercial e industrial da cidade ao longo do século passado, assumindo sua versão cosmopolita como é Piracicaba hoje, agregando famílias provenientes de outras partes do país que aqui buscam um crescimento pessoal ou profissional. (...) Rontani se une a expoentes que personificaram o Nhô Quim ao longo destes 65 anos, como Almir Bortolassi, Manolo, Messias Mello e Nino Borges, entre outros”, cita no texto.
Na ocasião serão distribuídos gratuitamente 250 exemplares do livro.
Charges mostrarão a evolução do "Nnhô Quim".

Edson Rontani começou a desenhar com 15 anos de idade. Foto: Detalhe da exposição no CCMW.

Mostra ocorre no CCMW.


Conheça um pouco mais sobre a história do "Nhô Quim" e do livro no link a seguir:



Serviço - Exposição “As Várias Faces do Nhô Quim” e relançamento do livro “Nhô Quim - A história que eu conheço” de autoria de Edson Rontani Junior, hoje (11 de julho), às 19h30, no Centro Cultural Martha Watts (Rua Boa Morte, 1257 – Centro – Piracicaba/SP). Informações: www.unimep.br/ccmw ou (19) 3124-1889.


Reinaldo Diniz é aluno do terceiro semestre do curso de Jornalismo da UNIMEP.
Pesquisa realizada no acervo Rocha Netto.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Não ao Parlamentarismo!



         No ano de 1962, o Jornal “Diário de Piracicaba” fez campanha para os brasileiros votarem “não” no plebiscito que visava manter o sistema de governo parlamentar instalado em 1961.
Parlamentarismo é um sistema de governo em que, diferentemente do presidencialismo, chefe de estado e chefe de governo são funções separadas. O primeiro apenas representa o Estado,  o segundo exerce o Poder Executivo e quem escolhe o Presidente é o Parlamento e não o povo.
Diário de Piracicaba - 16/12/1962

Diário de Piracicaba, 30/12/1962

O Parlamentarismo foi instalado no Brasil depois da renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961, sendo assim o vice-presidente João Goulart deveria assumir o seu lugar. No entanto, Goulart estava em uma viagem a China e o próximo na linha de sucessão seria o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazilli, que acabou assumindo o cargo.  
Em setembro de 1961, através de uma manobra política do Congresso Nacional, foi implementado o Parlamentarismo e João Goulart foi empossado como Presidente, porém sem os mesmos poderes do cargo no presidencialismo, pois agora havia Primeiro Ministro que detinha o poder de governo.
Diário de Piracicaba, 23/12/1962

Diário de Piracicaba, 16/12/1962

O povo brasileiro mostrou sua insatisfação com o Parlamentarismo, houve recessão da economia no país e a situação se tornou insustentável. Sendo assim João Goulart criou um plebiscito que foi votado no dia 6 de janeiro de 1963, para que definitivamente fosse banido o Parlamentarismo. Doze milhões de brasileiros foram às urnas e 80% votaram a favor do presidencialismo que foi instituído novamente. Goulart foi empossado novamente como Presidente, ficando no poder até ser derrubado pelo golpe militar em 1964.




Tiago Favaris, aluno do sexto semestre de Sistemas de Informação.
Pesquisa realizada no acervo O Diário.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Banquete Antropofágico


“Para comer meus próprios semelhantes
  Eis me aqui sentado à mesa” (Augusto dos Anjos, Eu, 1912) – Poema de abertura da reedição.



Das revistas ligadas ao Modernismo, as mais características e representativas foram KLAXON e a REVISTA DE ANTROPOFAGIA, ambas publicadas em São Paulo. Esta última é considerada a mais revolucionária do Modernismo e a reedição completa dessa revista literária (que circulou entre 1928 e 1929) pode ser encontrada aqui no acervo João Chiarini, com introdução de Agusto de Campos, de 1975.

“A antropofagia, que – como disse Oswald – “salvou o sentido do modernismo”, é também a única filosofia original brasileira e, sob alguns aspectos, o mais radical dos movimentos artísticos que produzimos. Por isso é da maior importância que se ilumine o “caminho percorrido”, no qual a Revista de Antropofagia é etapa indispensável. Ilhado pela ignorância, Oswald parecia ter perdido a batalha. “Venceu o sistema de Babilônia e a garção de costeleta”, chegou a escrever. Mas ele ressuscitou  nos últimos anos, para nutrir o impulso das novas gerações. Tabu até ontem, hoje totem. No necessário banquete totêmico não devemos, porém, comemorar, mas comer a revista. Como ele queria. SOMOS ANTROPÓFAGOS.” Augusto de Campos.













Vivian Monteiro, historiadora do Espaço Memória Piracicabana.
Pesquisa realizada no acervo João Chiarini.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Um dia para a História


Doado em 2012 ao Centro Cultural Martha Watts pelo professor de história da UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba), Uassyr de Siqueira, o jornal “Movimento” (1975-1981), segundo o professor em entrevista ao portal eletrônico da Universidade, fez parte da chamada imprensa alternativa. Criticava a ditadura militar e clamava pelo retorno à democracia.


Em um exemplar do jornal, Raimundo Pereira (jornalista) relata sobre uma das maiores manifestações populares já realizada no país:
Primeiro de maio de 1979. Estádio Vila Euclides, São Bernardo do Campo (SP). Mais de 130 mil pessoas, na maioria operários, realizaram um dos maiores “Dia do Trabalhador” da história do país, em resposta à intervenção do governo nos Sindicatos dos Metalúrgicos do ABC. O ato durou cerca de duas horas. Luís Inácio da Silva (Lula), na ocasião presidente do Sindicato, foi o mais aplaudido. A intervenção citada é condenada unanimemente por representantes de alguns milhões de trabalhadores.



No total, 56 sindicatos promoveram a manifestação, somando mais de 1,1 milhão de trabalhadores. Além do Sindicato dos Metalúrgicos, o Sindicato dos Médicos e Jornalistas, também participaram.
Foram 21 reivindicações, citando três (ver lista completa no link abaixo): Fornecimento gratuito e obrigatório, aos empregados de uniformes, óculos, capacetes, aventais, macacões, botas, calçados, luvas, quando exigidos pelas empresas na prestação de serviços; Abono de falta ao empregado estudante, para fins de prestação de exames escolares, condicionada prévia comunicação à empresa e comprovação posterior; Garantia ao empregado admitido para a função de outro dispensado sem justa causa, de igual salário ao do empregado de menor salário na função, sem considerar vantagens pessoais;
O 1° de maio unitário foi promovido também pela União Estadual dos Estudantes, a entidade dos universitários que, na época, congregava 60 entidades, estava em fase de reorganização e que até tempo antes, era considerada ilegal; e pelo Centro Brasileiro pela Anistia, a seção paulista de um movimento nacional pelo fim das punições e perseguições políticas, pelo retorno dos exilados ao País e pela apuração dos crimes cometidos pela repressão.

Mais informações sobre a manifestação do dia 1° de maio de 1979, ou outros assuntos, podem ser encontradas no Espaço Memória Piracicabana, localizada no subsolo do Centro Cultural Martha Watts, de segunda a sexta, das 09h às 12h e 13h às 17h.

Vídeo sobre a manifestação de 1979:


Reinvidicações propostas pelos Sindicatos participantes do ato:





Reinaldo Diniz aluno do terceiro semestre de Jornalismo da Unimep.
Pesquisa feita no acervo do jornal Movimento.



quinta-feira, 12 de junho de 2014

No clima de Copa do Mundo


Aproveitando o clima de Copa de Mundo, juntamente com a abertura do Mundial, que será realizado hoje à tarde na Arena Itaquera, o Centro Cultural Martha Watts aproveita para, novamente, evidenciar o rico acervo Rocha Netto.
Há diversos números da revista “Placar” da editora Abril presentes nesse acervo, incluindo uma edição sobre a copa do mundo de 1970 (México), em que o Brasil foi campeão do mundo. A revista fez uma retrospectiva de diversos jogos daquele ano.





A grande decepção da copa de 1998, na França, em que o Brasil sofreu sua maior derrota nas copas, por 3x 0 para o time da casa, também tem uma edição histórica.


A revista “Placar” também lançou uma edição especial de 100 maiores craques da história, como Pelé, Maradona, Garrincha, e tantos outros que inspiraram o futebol mundial.
Estas são apenas três dentre centenas de revistas disponíveis para pesquisa aqui no Acervo Rocha Netto.

Tatiane Saglietti, aluna do quinto semestre do curso de História da Unimep.
Pesquisa realizada no acervo Rocha Netto.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Violência no futebol da Noiva da Colina

Durante toda história do Futebol podemos ver o fanatismo futebolístico gerando verdadeiras guerras entre torcidas adversárias como, por exemplo, na Inglaterra com os Hooligans que, durante vários anos, agiam nos jogos e fora deles com grande violência e no Brasil, com as torcidas organizadas das grandes capitais. No interior do Estado de São Paulo isso não foi diferente. Essas brigas aconteciam até mesmo entre times de uma mesma cidade como vemos no processo abaixo.


No dia 9 de Julho de 1923, em Piracicaba, o Cartório da cidade recebeu uma denúncia envolvendo agressão no Campo da Sociedade Esportiva XV de Novembro durante um jogo de futebol. O agressor, Christovam, atacou a vítima, Epitácio, com duas facadas pelas costas, durante uma briga entre as equipes participantes do jogo.
            O jogo havia ocorrido na tarde do dia 27 de maio de 1923, entre o Clube de Estudantes da Escola Agrícola Luiz de Queiróz e um Clube amador da Vila Rezende. No meio da partida ocorreu uma discussão entre os jogadores, os assistentes e os espectadores dos dois times. As pessoas presentes invadiram o campo discutindo e agredindo com socos e pontapés que foram distribuídos dos dois lados. No entanto, Christovam, que estava na arquibancada observando este momento de confusão, invadiu o campo e atacou covardemente pelas costas o estudante Epitácio com golpes de faca, produzindo nele ferimentos leves. Os jogadores que presenciavam a cena entre Christovam e Epitácio foram apartar a briga, prendendo o agressor em flagrante.
O réu foi incluso nas penas do artigo 303 do Código Penal vigente na época, porém, depois de um longo processo, Christovam foi absolvido das acusações com um julgamento que teve decisão unanime pela liberdade do acusado. Essas e outras histórias podem ser encontradas aqui no acervo do Fórum, com processos que datam de 1801 até 1946.


Tiago Favaris, aluno do quinto semestre de Sistemas de Informação da Unimep.

Pesquisa realizada no acervo do Fórum.